‘Novel’ Coronavírus chega aos EUA

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Os Estados Unidos anunciaram na terça-feira o seu primeiro caso de um novo vírus que já matou seis pessoas na China e deixou centenas doentes, e em conjunto com outros países, está a definir medidas para impedir a sua propagação.

O homem, um morador norte-americano de 30 anos a residir perto de Seattle, está em boas condições, segundo autoridades federais e estaduais, e falou com as autoridades depois de tomar conhecimento acerca do vírus da SARS em reportagens.

O paciente, está “actualmente hospitalizado por questões de precaução e para observação a curto prazo, não porque este fosse um caso grave”, disse Chris Spitters, um oficial de saúde do estado de Washington.

“Esta é uma situação em evolução e, sabemos que irão surgir mais pacientes nos Estados Unidos e no mundo”, acrescentou Nancy Messonier, uma autoridade sénior do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), mas enfatizou que o risco geral para os americanos permanece baixo.

O homem entrou no país a 15 de Janeiro, depois de viajar para Wuhan, dois dias antes de os EUA começarem a enviar agentes de saúde para os principais aeroportos para rastrear passageiros que chegavam daquela cidade no centro da China, que está no centro do surto.

Os esforços devem ser estendidos agora para um total de cinco aeroportos nos EUA.

Ele surgiu quando os países aumentaram as medidas para bloquear a propagação do vírus – conhecido pelo seu nome técnico 2019 Novel Coronavirus ou 2019-nCoV – quando o número de casos ultrapassou 300, levantando preocupações no meio de uma grande corrida de férias na China.

O medo de um surto maior aumentou depois de um proeminente especialista da Comissão Nacional de Saúde da China ter confirmado na segunda-feira que o vírus pode ser transmitido entre pessoas.

Esta conclusão é compartilhada pelo CDC, que afirmou que “a disseminação de pessoa para pessoa está de momento a ocorrer, embora não esteja claro a facilidade com que o vírus se transfere entre as pessoas”, apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter adoptado uma abordagem mais cautelosa, dizendo que ainda está sob investigação.

A agência da ONU, irá realizar uma reunião de emergência nesta quarta-feira para determinar se deve declarar uma rara emergência mundial de saúde pública por causa da doença, que também foi detectada na Tailândia, Japão e Coreia do Sul e Taiwan.

Arremetida do feriado

As autoridades disseram antes, que não havia evidências óbvias de transmissão de pessoa para pessoa e que animais eram os suspeitos de ser a fonte, já que um mercado de frutos do mar em que animais vivos eram vendidos em Wuhan foi identificado como o centro do surto.

Centenas de milhões de pessoas estão a atravessar a China nesta semana em autocarros, comboios e aviões lotados para comemorar o Ano Novo Lunar com os seus parentes.

Mais de 80 novos casos foram confirmados, elevando o número total de pessoas atingidas pelo vírus na China para 315, com a grande maioria em Hubei, província onde fica Wuhan, segundo as autoridades.

Mas os casos também foram confirmados em todo o país, incluindo Pequim e Xangai.

O primeiro caso na ilha autónoma de Taiwan também foi confirmado na terça-feira, com uma mulher a ser levada ao hospital na chegada ao aeroporto de Wuhan.

O prefeito de Wuhan, Zhou Xianwang, disse à emissora estatal CCTV na terça-feira que o número de mortos subiu de quatro para seis.

O coronavírus causou alarme por causa de suas semelhanças genéticas com a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que matou quase 650 pessoas na China continental e Hong Kong em 2002-2003.

Verificações de febre

Em quatro aeroportos da Tailândia, as autoridades introduziram exames térmicos obrigatórios de passageiros que chegavam de áreas de alto risco da China.

Em Hong Kong, as autoridades disseram estar em “alerta máximo extremo”, exigindo aos passageiros de Wuhan, o preenchimento de declarações de saúde e possíveis penas de prisão caso não declarassem os sintomas.

Também foram criadas medidas de rastreio nos aeroportos da Austrália, Bangladeche, Nepal, Singapura e Rússia, Malásia e Vietnam.

Um homem com sintomas da doença após ter viajado de Wuhan foi posto em isolamento na Austrália, enquanto as autoridades de saúde aguardam os resultados dos testes, disseram as autoridades na terça-feira.

Na China, o governo anunciou que estava classificando o surto na mesma categoria que o SARS, o que significa isolamento obrigatório para aqueles diagnosticados com a doença e o potencial de implementar medidas de quarentena nas viagens.

Em Wuhan, as autoridades proibiram grupos de turistas e a polícia está a realizar verificações pontuais de animais em veículos que chegam e deixam a cidade, informou a media estatal.

As autoridades de saúde da cidade já prepararam 800 camas em três hospitais e mais 1.200 estarão prontas em breve, e os passageiros estarão a ser rastreados para a eventualidade de febre no aeroporto, estações ferroviárias e terminais de autocarro.

Os Médicos da Universidade de Hong Kong divulgaram um estudo na terça-feira estimando que já existem 1.343 casos do novo vírus em Wuhan.

A OMS declarou uma emergência de saúde pública global apenas em alguns casos, como durante a pandemia de H1N1 – ou a gripe suína – de 2009 e a epidemia de Ébola que devastou partes da África Ocidental entre 2014 e 2016.

Fonte: ScienceAlert

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