Cientistas espanhóis descobrem forma de abrandar tumores cerebrais

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Um grupo de investigadores espanhóis descobriu uma forma de abrandar a evolução dos tumores cerebrais mais graves. A chave está na proteína tau, que é responsável pelo aparecimento de Alzheimer, mas que consegue atenuar o desenvolvimento dos gliomas (um tipo de tumor no cérebro).

Os tumores cerebrais são classificados com base na célula que lhes dá origem no sistema nervoso central e o grau do mesmo mostra a diferença entre um tumor de crescimento lento ou rápido. Até ao Grau III os tumores tendem a evoluir de forma lenta e a esperança de vida é acima de 15 anos. Mas quando os tumores já atingem o Grau IV, os tratamentos não são tão eficazes e o doente pode ter apenas 15 meses de vida.

Ora, de acordo com Jesús Ávila, cientista do Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa e um dos autores deste estudo, quando a proteína tau está presente no cérebro, os tumores não são tão agressivos.

Nos gliomas, a proteína tau tem um fator protetor: quanto maior for a quantidade de proteína, menos o tumor se propaga”, explicou à Science Translational Medicine, uma revista americana focada em assuntos de saúde.

A proteína tau era, até aqui, um dos “vilões” das doenças de foro neurológico uma vez que está diretamente relacionada com o aparecimento de Alzheimer. Nesta doença degenerativa, a tau é prejudicial porque concentra-se nos neurónios, matando-os.

A tau está também sempre presente nos tumores menos agressivos, mas quando a quantidade desta proteína diminui, os tumores tendem a tornar-se mais fortes. Os cientistas concluíram que isto acontece porque esta proteína reforça os microtúbulos, ou seja, o “esqueleto” das células. Um dos primeiros efeitos do cancro é debilitar esse “esqueleto”, por isso, a tau vai impedir que tal aconteça.

O estudo analisou amostras de tecido de centenas de doentes com tumor cerebral: 180 amostras de pacientes de Madrid e Valencia e 700 amostras de doentes recolhidas pela Universidade da California.

Ora, os investigadores descobriram que há um fármaco, um derivado do Taxol – o Taxol é muito utilizado para outros tratamentos de doenças oncológicas – que é capaz de imitar o papel protetor da proteína tau e fazer com que os tumores se tornem mais vulneráveis à quimioterapia.

Uma descoberta importante, como assinalam os cientistas, para travar a evolução de tumores que são muito desencorajadores.

Os tumores no cérebro agressivos são muito desencorajadores. (…) Atualmente, os tratamentos incluem cirurgia, mas depressa o cancro aparece outra vez. A maioria das experências com doentes para testar novos fármacos não estão a ter resultados positivos”, afirmou Ricardo Gargini, um dos autores do estudo

Contudo, os autores do estudo salientam que ainda é necessário aprofundar este estudo. Um processo que pode levar anos e que requer também investimento por parte das empresas farmacêuticas.

Fonte: TVI24

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