Xénon é do outro Mundo

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Um grupo de geoquímicos pensa ter descoberto a origem do Xénon, o gás nobre presente na nossa atmosfera, e não é de cá! Este enigmático gás, tem intrigado os cientistas ao longo de décadas por vários motivos, entre os quais, como cá chegou, e porque aparentemente desapareceu.

Segundo novos dados da sonda Rosetta, cerca de um quarto do Xénon presente na nossa atmosfera, terá provavelmente originado de cometas, e para além de ajudar a dissolver o intrincado dilema que tem assolado os cientistas, esta nova descoberta ajuda também os cientistas a entenderem como potencialmente os cometas foram também responsáveis pela existência de outras matérias no nosso planeta, como por exemplo a água.

“A composição isotópica do xénon é similar à de um componente atmosférico primordial”, disse o geoquímico, Bernard Marty, da Universidade de Lorraine, em França e acrescentou, “a atmosfera actual da Terra contem cerca de 22 porcento de xénon proveniente de cometas”.

O xénon, tal como outros gases nobres como o hélio e o árgon, é um gás sem qualquer odor, cor, e que praticamente não apresenta reacção, apesar de alguns dos seus compostos poderem ser altamente explosivos.

Apesar de o xénon ser extremamente raro, cerca de uma parte em 20 milhões na atmosfera, no nosso dia a dia diversas comodidades que utilizamos fazem recurso a este, como os faróis dos automóveis, projectores e até os ecrãs de plasma.

O xénon é também o gás nobre mais denso que conhecemos, sendo 4 vezes mais denso do que o ar e contendo 9 isótopos estáveis, mas o facto mais intrigante acerca do xénon, é o de este não se comportar como era suposto, quando comparado com outros gases nobres mais comuns. Para começar, cerca de 90 porcento do gás xénon que deveria estar na atmosfera, na verdade não está lá, e existem várias teorias para onde está então o gás em falta, incluindo no núcleo da Terra. Mas o dilema não fica por aqui e adensa-se com os cientistas a tentarem perceber de onde veio o xénon que existe na nossa atmosfera, sendo que os modelos actuais, afirmam que pelo menos parte deste, terá vindo de uma fonte desconhecida que até agora não tinha sido identificada.

Mas a chegada da sonda Rosetta, e o cumprimento de parte da sua missão que implicava circundar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em 2004, permitiu após processamento dos dados recolhidos, concluir que o gás existente no cometa, já lá estava antes da criação do nosso Sistema Solar, e que a assinatura isotópica do gás, correspondia à assinatura do presente na nossa atmosfera.

Mais curioso, os cientistas descobriram que o gás xénon presente no cometa e na nossa atmosfera, difere na sua assinatura isotópica de todo o gás xénon até agora detectado no Sistema Solar, comprovando que este terá tido uma origem anterior à formação do nosso sistema.

Isto vem confirmar que pelo menos parte do gás xénon, teve origem em cometas, e veio de fora do nosso Sistema Solar, e vem adensar a possibilidade, de grande parte de outros componentes terem chegada ao nosso planeta através do mesmo meio.

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