A vida multicelular foi causada pelo mesmo gene que suprime o cancro, sugere estudo

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Biologistas da Kansas State University descobriram que um gene singular chamado retinobastoma (RB) é responsável pela evolução dos organismos unicelulares para multicelulares, acabando com as hipóteses anteriores de que teriam sido necessários diversos genes para criar a vida multicelular.

O mesmo gene que se sabe apresentar deficiência nos pacientes com cancro e representa um papel crítico na evolução para vida multicelular. “Não só descobrimos um gene critico para a multicelularidade, mas acabou por ser também um supressor de tumores e evolui de forma bastante mais fácil para multicelular do que o pensado”.

“O RB tem um papel importante na multiplicação celular regulando os ciclos celulares mesmo antes da replicação de DNA se iniciar”, acrescenta Olson. “O cancro ocorre quando este gene está defeituoso. Em termos de ciclo celular e progressão cancerígena, pense no RB como os travões do seu carro. Quando os travões estão defeituosos, não existe forma de controlar o abrandamento do veículo”.

Eric Hanschen, um estudante de doutoramento na University of Arizona e co-pesquisador, acrescentou que a multicelularidade evolui diversas vezes de forma independente.

“É bem-sabido que plantas, animais e fungos evoluíram de forma independente, mas também as algas veremelhas, verdes e castanhas, as algas volvocine, micetozoários (limos) e bactéria; é um processo que acontece mesmo bastantes vezes”, disse ele.

“O resultado que descobrimos com a RB é intrigante devido a este caminho e este gene serem partilhados entre vários destes grupos multicelulares independentes, que estão separados por centenas de milhões de anos”.

Os pesquisadores compraram a alga Gonium pectoral e o seu parente unicelular Chlamydomonas reinhardtii e descobriram que o gene RB está presente em ambas as algas apesar de pequenas diferenças nos ciclos estruturais. E quando introduziram o gene RB da Gonium na Chlamydomonas, esta tornou-se multicelular.

“A Gonium é a representante dos primeiros passos em direcção à evolução de organismos multicelulares complexos como plantes e animais”, disse Olson. “Estas descobertas têm o potencial de ajudar cientistas a entender a origem do cancro e poderão contribuir para capacidades futuras de tratamento e detecção do cancro”.

[ScienceAlert]

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