Vénus aqui vamos nós: A NASA acaba de desenvolver electrónica à prova de Vénus!

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Uma vez que uma viagem a Vénus é 30 a 50 por cento mais curta do que as que fazemos a Marte, poderá em algum momento se ter perguntado, o porquê de nos focarmos em Marte em vez de Vénus? Muito simples, a atmosfera do planeta é extremamente tóxica, quente e corrosiva, como recordamos pela última sonda que atingiu o segundo planeta a contar do sol, que aguentou umas incríveis 2 horas e 7 minutos.

Mas não tema, tudo isto está prestes a mudar, pois a NASA acaba de desenvolver electrónica à prova de Vénus, que em teoria pode suportar o contacto com o planeta e sobreviver para contar! Engenheiros do Glenn Research Centre em Cleveland acabou de criar um novo tipo de circuitos capaz de durar 100 vezes mais do que os circuitos das anteriores missões ao planeta.

O que significa que provavelmente conseguiremos finalmente usufruir de alguma ciência duradoura no planeta mais quente do Sistema Solar, que tem uma temperatura média de superfície de cerca de 462ºC.

O maior problema não são as nuvens atmosféricas de ácido sulfúrico que cobrem os céus do planeta, é sim a temperatura fervilhante da superfície, juntamente com a pressão imensamente densa da atmosfera do planeta, que oferece mais de 90 vezes a pressão atmosférica da superfície da Terra, o que significa que a pressão de à superfície do planeta, é equivalente à pressão na terra a cerca de 900 metros de profundidade subaquática.

Devido a isso, a electrónica comum simplesmente não consegue sobreviver em Vénus, e é por isso que as missões soviéticas anteriores utilizavam câmaras térmicas hermeticamente seladas para tentar manter os circuitos tão arrefecidos quanto possível, mas infelizmente, o recorde de sobrevivência foi de uns 127 minutos, alcançado pela sonda Soverica Venera 13 em 1982.

Por isso, os engenheiros do Glenn Research Center desenvolveram circuitos com carboneto de silício. Este tipo de chips tem uma resistência ao calor bastante elevada, ao contrário dos chips de silício convencionais que resistem até cerca de 250ºC apresentando a partir daí um comportamento errático.

Os novos circuitos foram testados no GEEN (Glenn Extreme Environments Rig), que consiste numa câmara de 800 litros que funciona como um forno muito quente, para recriar o calor e a pressão da atmosfera de Vénus, durante 521 horas.

Assim, embora a NASA tenha posto recentemente a exploração de Vénus em espera em detrimento de outras missões de pesquisa, pelo menos agora temos tecnologia para fazê-lo!

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