O tom azul claro da Terra poderá ser uma assinatura de vida

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Há mais de 25 anos atrás, uma das mais famosas fotografias da Terra – o “Pálido Ponto Azul” – foi tirada pela sonda espacial Voyager 1 quando esta passava por Plutão a 14 de Fevereiro de 1990. A Imagem, que mostra o nosso planeta como um minúsculo, e sumido pixel em torno do vasto vazio do espaço, demonstra o quão isolados nós estamos no Universo.

Ou será que não? Poderá o brilho daquele sumido ponto azul ser utilizado para ajudar a encontrar vida noutro local do cosmos? E será que os outros planetas habitáveis têm a mesma cor? Estas são as questões levantadas por um novo estudo, que investiga se a cor do nosso planeta pode ser a chave para a sua capacidade de sustentar vida.

Utilizando uma técnica chamada fotometria, que mede a intensidade da radiação electromagnética, a equipa da University of Washington descobriu que cores podem de facto dizer bastante acerca da composição do mundo – mas é preciso ter cuidado, apenas por um planeta ser azul não significa necessariamente que o mesmo é habitável.

“Um facto importante é que a cor pode ser utilizada com atenção devido ao facto de ser relativamente fácil de [detectar]planetas sem vida com um tom azul pálido”, disse um dos pesquisadores, Joshua Krissansen-Totton, ao Adm Hadhazy da Astrobiology Magazine. “Com isto dito, fiquei bastante animado por descobrir que o espectro da Terra tem uma assinatura intrigante que é biogénica, única, e potencialmente bastante útil”.

O tom azulado na Terra é um resultado da chamada Dispersão de Reyleigh – a forma como a luz solar dispersa as moléculas na nossa atmosfera – que faz com que o céu se pareça azul quando olhamos para cima. Este brilho azul estende-se pelo espaço, que é a razão pela qual o Pálido Ponto Azul é importante.

As condições atmosféricas nos outros planetas também podem gerar o brilho azul, mas isso não significa que quisesse viver lá. Por exemplo, os pesquisadores dizem que um dos planetas do nosso Sistema Solar famoso por ser vermelho não foi sempre assim.

“O nosso vizinho cósmico Marte poderá até ter sido um pálido ponto azul no seu passado quando tinha uma atmosfera mais densa de dióxido de carbono, tal como o seriam exoplanetas gelados como densas atmosferas de nitrogénio”, disse Kissansen-Totton à Astrobiology Magazine. “Acho que esta é uma boa razão para desconfiar quando estivermos a analisar as cores dos exoplanetas. Existem bastantes potenciais falsos positivos, e planetas que se aparentam poderão na verdade ser radicalmente diferentes”.

Mas apesar da cor por si própria poder ser enganadora, o reflexo do espectro de luz que o planeta emite é outra história. No caso da Terra, os pesquisadores dizem que esta assinatura espectral com a forma de um “U” poderá ser um sinal positivo de que um mundo é de facto habitável. Como Hadhazy explica:

“A sua forma cima-baixo-cima deriva das mesmas características que tornam a Terra um pálido ponto azul em primeira instância: a Dispersão de Rayleigh na porção mais azulada do espectro; alguma absorção na porção mais esverdeada devido ao ozono da nossa atmosfera, que tal como o oxigénio que respiramos não existiria se a vida não existisse; e finalmente a luz vermelha, devido ao reflexo continental, mas também pela vegetação verdejante difundida da Terra que reflecte bastante em infravermelhos”.

Quando combinamos a capacidade de medir esta gama de luz com outros factores relacionados com a habitabilidade do exoplanetas, poderemos ter algo.

No mínimo, os pesquisadores dizem que poderá ajudar os astrónomos a diminuírem o número de exoplanetas que poderão potencialmente suportar vida a estudar.

“Encontrar um planeta terrestrial na zona habitável com o espectro em forma de [U] seria bastante interessante”, disse Krissansen-Totton. “O espectro em forma de [U] poderá ajudar a distinguir entre os verdadeiros pálidos pontos azuis e os falsos positivos, que não têm a mesma forma espectral”.

As descobertas foram reportadas no The Astrophysical Journal.

[ScienceAlert]

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