Teoria de Einstein novamente confirmada

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Já foi possível medir a massa de uma estrela anã branca, comprovando desta forma um tipo particular de “lente gravitacional” já previsto há mais de cem anos pelo físico Albert Einstein na teoria da relatividade geral.

E a teoria diz que, quando a luz de uma estrela distante passa por um corpo que está alinhado e mais próximo de nós, conseguimos ver a gravidade a deformar o chamado de “tecido” do cosmos e a fazer com que o brilho que é emitido ao longe, desenhe uma curva no espaço. Esta é uma descrição simplificada do complexo fenómeno da “lente gravitacional”, previsto há um século na teoria da relatividade geral de Albert Einstein. Num artigo publicado esta semana na revista Science, uma equipa internacional de cientistas relatou que conseguiu confirmar, pela primeira vez, um tipo particular deste efeito numa pequena estrela localizada fora do nosso sistema solar.

Existe assim mais uma janela aberta para estudar pequenos objectos que emitem pouca luz e que não conseguíamos alcançar.

Uma das ocorrências especiais do efeito da lente gravitacional, é aquele em que duas estrelas (uma mais longe de nós e outra mais perto) estão perfeitamente alinhadas e formam, uma sobre a outra, um aro de luz. A este ponto alto do efeito gravitacional dá-se o nome de “anel de Einstein”.

Há cem anos atrás, o físico já sabia que tudo se passava assim, ou seja, o efeito gravitacional ficou comprovado muito cedo. Durante as observações do eclipse em 1918 tudo foi confirmado. Ainda assim, o anel de Einstein demorou mais algum tempo a ser observado.

Num antigo artigo publicado na Science em 1936, Albert Einstein referia que a longa distância que nos separava das estrelas roubava qualquer esperança de podermos observar este fenómeno directamente. Nessa altura, Einstein estava correcto.

O avanço da tecnologia que permitiu a criação de poderosos telescópios, aconteceu há cem anos atrás, no ano de 1988, foi aí que, pela primeira vez, foi observado o anel de Einstein.

Agora, com as imagens captadas pelo telescópio Hubble, uma equipa internacional de astrofísicos liderada por Kailash C. Sahu, do Instituto do Telescópio Espacial (EUA), utilizou este efeito (a lente gravitacional com o anel) para medir com precisão, a massa de uma pequena estrela anã branca. Apesar de serem a maioria na nossa galáxia, as anãs brancas são estrelas que estão no final do seu ciclo de vida (como um dia, aproximadamente como daqui a 4500 milhões anos) vai acontecer ao nosso Sol, são pequenas e já emitem pouca luz, o que as torna quase inacessíveis para os cientistas.

A equipa de Kailash C. Sahu chegou até elas.

Os cientistas começaram por procurar as estrelas que pudessem cruzar-se num alinhamento possível de gerar um um anel de Einstein e apontaram o Hubble para uma anã branca de nome Stein 205b. Esta anã branca estava a cerca de 17 anos-luz de distância de nós e cruzou-se com uma outra estrela mais distante (a cinco mil anos-luz) entre Outubro de 2013 e Outubro de 2015.

Aí, as estrelas encontravam-se ligeiramente desalinhadas e formaram um anel assimétrico, o que terá facilitado as difíceis observações e medições. Tal como refere uma notícia da revista Nature sobre este artigo, a distância com que estamos a lidar nestes cenários será comparável a colocar uma pessoa em Londres a olhar para uma formiga a atravessar uma moeda em Moscovo.

“Usando um anel ligeiramente desalinhado, os cientistas conseguiram medir a posição da estrela mais distante e calcular com uma precisão extrema a massa da estrela [anã branca] que faz de lente”, explicou Ricardo Reis, do Grupo de Comunicação do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, acrescentando ainda que esta observação abriu novas oportunidades para se estudarem estes pequenos objectos que emitem pouca luz.

“O cálculo da massa será algo como pesarmos uma estrela”, explicou ainda.

Com as imagens do telescópio Hubble e do “anel” assimétrico de Einstein gerado à volta da Stein 205b, a equipa calculou que a estrela anã branca terá cerca de 68% da massa do Sol. “Einstein ficaria orgulhoso. Uma das suas importantes previsões passou um teste de observação muito rigoroso”, referiu Terry Oswald, um astrónomo especialista em estrelas anãs da Universidade de Aeronáutica de Embry-Ridge, na Florida (EUA), que foi convidado pela Science para fazer um comentário ao artigo assinado por Kailash C. Sahu.

Terry Oswald defende ainda que este trabalho “fornece uma nova ferramenta para determinar as massas de objectos que não podemos medir facilmente por outros meios” e foi o primeiro que conseguiu observar este efeito numa estrela diferente do Sol. O astrónomo acrescentou ainda que a equipa de Kailash C. Sahu confirmou também “a teoria que mereceu o Prémio Nobel em 1930, atribuído a Subrahmanyan Chandrasekhar, sobre a relação entre a massa e o raio das estrelas anãs brancas”.

“Agora sabemos que Stein 2051 B é perfeitamente normal, não é uma anã branca maciça com uma composição exótica, como se pensava”.

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