A Suécia vai relocalizar uma cidade inteira para que esta não se afunde

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Nós, seres humanos somos bastante bons a deixar uma impressão duradoura no meio ambiente que nos rodeia – algo que é bastante óbvio quando se fala da mineração de metais e minerais da terra.

Veja o caso dos moradores de Kiruna, na Suécia, que recorreram a medidas drásticas para lidar com a situação de o solo estar a abater rapidamente por baixo deles devido a uma mina de ferro local. As autoridades estão a considerar a hipótese de mover toda a cidade e os seus habitantes 3,2 km para leste.

Os especialistas estimam que a maioria das estruturas em Kiruna irá colapsar sobre as minas de ferro em expansão em 2050, portanto o plano de relocalizar toda a gente já está em andamento, e tem conclusão prevista para 2040.

A proximidade de Kiruna ao Círculo Árctico significa que esta é escura e fria durante grande parte do ano, relata Alissa Walker da Gizmodo, tornando a operação ainda mais exigente. A cidade está dispersa numa área ampla, mas tem pouca população – na verdade, a área é grande o suficiente para que toda a população mundial lá coubesse se estivéssemos todos bem juntos, ombro com ombro.

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Como parte da relocalização, lojas, escritórios e casas serão todas mudadas. Alguns marcos seleccionados serão transferidos tijolo por tijolo, ou mesmo levantados num todo utilizando gruas, mas na maioria dos casos, os edifícios serão demolidos e depois reconstruidos, de acordo com um documentário sobre o projecto.

Quanto à mina, é operada pela companhia estatal Luossavaara-Kiirunavaara AB, e é a razão principal para a existência da cidade. Cada vez que o minério de ferro é removido debaixo da superfície, o terreno alui (um processo conhecido como “deformação do solo”). A própria LKAB irá suportar os custos da relocalização da cidade.

Alterar a localização de Kiruna é também uma oportunidade para fazer melhorias a nível do design e layout da cidade. Considerando que a área urbana existente é espalhada num design bastante disperso, a nova metrópole será mais concentrada e consideravelmente mais densa.

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No entanto, a cidade é mais do que apenas edifícios e estradas – algo que o arquiteto Åsa Bjerndell, que é responsável pelo projecto, tem bastante em conta.

“Os sistemas de laços sociais e económicos são o que une Kiruna, e se há algo que necessita de ser movido, são estas conexões e relacionamentos”, disse à Gizmodo. “Se estamos a pensar numa mudança com sucesso de uma cidade, temos de nos certificar de que a mudança fortalece as relações existentes e fomenta a criação de novas no processo.”

Para isto é importante o feedback dos moradores, envolvendo-os na concepção da nova cidade, e ter a certeza de que a sua qualidade de vida melhora após toda a operação. Os proprietários e aqueles que vivem em casa alugadas irão ter apoio financeiro para suportar a mudança.

[ScienceAlert]

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