Sol Noturno já foi explicado por cientistas

0

As “noites brilhantes”, são um fenómeno também conhecido por “Sol Noturno”, é uma ocorrência já identificada pelo menos desde o tempo dos romanos. Posteriormente, estas noites começaram a ser descritas como um brilho inexplicável que ocorria durante a noite. Os cientistas da Universidade de York, no Canadá, afirmam agora ter descoberto uma possível explicação para este raro acontecimento. O estudo já foi publicado no início deste mês no jornal Geophysical Research Letters.

Após utilizarem dados recolhidos por satélites, foram dois cientistas de Toronto, que se dedicam ao estudo da atmosfera, que sugeriram que as noites brilhantes não se devem ao sol, nem a meteoros, mas sim ao resultado da convergência de “ondas locais” na atmosfera superior do planeta Terra.

“Foram de facto poucas as vezes em que este acontecimento foi registado”.

No primeiro século d.C., Plínio, “o Velho”, presenciou uma noite brilhante e descreveu este evento como “uma aparição do dia durante a noite”. Já nos anos de 1783 e 1908, foram registados mais dois acontecimentos.

Presentemente vivemos na era da luz artificial e as oportunidades de assistir ao Sol Noturno são menores. Gordon Shepherd, um dos autores do estudo, lamentou ainda não ter presenciado nenhuma noite brilhante.

Foi Shepherd que, em 1991, construiu um satélite com a capacidade de medir a luminescência atmosférica, ou airglow, que ocorre quando a radiação ultravioleta proveniente do sol separa as moléculas de oxigénio em átomos individuais. Os átomos recombinam-se durante a noite, libertando assim energia que emite uma tonalidade verde.

As suas investigações começaram após outros cientistas terem noticiado que, por vezes, a luminescência não poderia ser simplesmente vista a olho nu.

Juntamente com Young-Min Cho, da Universidade de York, Shepherd conduziu uma análise (durante dois anos) dos dados recolhidos pelo satélite. Acabou finalmente por descobrir que os comprimentos das ondas na atmosfera superior eram, em alguns casos, sobrepostos uns aos outros, produzindo assim luz no fluxo de ar.

O estudo veio ainda comprovar que os fenómenos de “Sol Noturno” ocorreram, na sua maioria, em áreas de elevada altitude e foram, quase sempre, circunscritas a uma área que equivale ao tamanho da Europa.

Já nos tempos que correm, as hipóteses de assistir a este fenómeno são remotas, uma vez que os níveis de poluição luminosa no ar não o permitem.

“Se voltarmos à época dos romanos, eles viviam num ambiente sem luz artificial. Agora, quase toda a gente vive de luz artificial”, contou Shepherd, citado pelo The Guardian.

Ainda assim, os cientistas dizem que, apesar de ser difícil de serem vistas a olho nu, as noites brilhantes ainda podem ser vistas através de satélites.

Comment