Será que a Consciência é Apenas uma Ilusão?

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Como qualquer pessoa que já tenha estado numa dieta saberá, assim que tentar não pensar em algo – chocolate, por exemplo – tornasse virtualmente impossível deixar de pensar nisso. No entanto, com alguma força de vontade, poderá pelo menos manter essa barra de chocolate afastada da sua barriga. Isto demonstra que temos bastante mais controlo sobre as nossas do que sobre os nossos pensamentos, e apesar de poder não ser uma grande surpresa, um novo estudo revelou que esta falta de domínio sobre a nossa consciência é muito mais profunda do que possa imaginar.

Os resultados deste estudo, que foram publicados no jornal Acta Psychologia, estão a ser utilizados para suportar uma nova teoria de que a consciência nada mais é do que uma frente do nosso subconsciente. Com base neste paradigma, a mente desperta é vista como uma espécie de janela através da qual nós nos mantemos a par dos resultados nos nossos processos do subconsciente, mas que não tem qualquer papel activo na criação destes resultados.

O pesquisador principal Ezequiel Morsella, que está entre os pioneiros desta teoria, explicou numa declaração que este estudo indica que “a consciência é passiva, e que o seu conteúdo é muitas vezes gerado de forma inconsciente”.

O estudo por si mesmo baseia-se no conceito de um processamento irónico, que é o facto de ser mais provável uma pessoa pensar em algo no qual não querem pensar. Isto é frequentemente demonstrado utilizando Reflexive Imagery Task (RIT), onde são apresentadas imagens de objectos aos participantes e pede-se para que não pensem nos nomes desses objectos

É frequentemente sugerido que este efeito apenas se aplica a processos relativamente automáticos, tais como lembrar uma associação que aprendemos de uma imagem a uma palavra, e essas actividade mentais mais complexas como fazer cálculos não entram simplesmente nas nossas cabeças quando estamos a tentar não pensar nelas.

Para desafiar essa suposição, os pesquisadores ensinaram um grupo de estudantes a jogar um jogo de manipulação de palavras chamado Pig Latin, onde a primeira letra de cada palavras deve ser movida para o fim e acrescida das letras AY. Então, por exemplo, VACA torna-se ACA-VAY e PEIXE torna-se EIXE-PAY.

Depois foram lhes apresentadas séries de palavras num ecrã e foi lhes pedido que não aplicassem a lógica do Pig Latin, mas para carregarem num botão caso reparassem que o cérebro estava a rearranjar as palavras automaticamente nos seus pensamentos.

O facto que os estudantes não conseguirem deixar de formar as palavras Pig Latin nas suas cabeças em 43 por cento das ocasiões levou Morsella a notar que “o nosso estudo revela que os processos não intencionais, e inconscientes podem ser mais sofisticados do que se pensava”.

subconscious

Explicando este fenómeno, ele e os seus colegas concluíram que os nossos pensamentos são altamente involuntários, ocorrendo como um género de uma reacção reflexa a estímulos externos, sobre a qual nós não temos qualquer controlo “consciente”. Por outras palavras, é ao nível do subconsciente que os nossos verdadeiros pensamentos ocorrem, e a mente consciente é então capaz apenas de ver os “resultados” deste processo.

No entanto, isto não significa que a consciência seja inteiramente redundante. Em vez disso, ele é o que nós utilizamos para reflectir nos nossos processos involuntários de pensamento. Por exemplo, apesar de provavelmente não ser possível evitar pensar no nosso desejo de chocolate, podemos escolher entre um numero potencial de caminhos a seguir, que variam desde manter total abstinência a nos enchermos com o bem proibido.

Como seres conscientes, temos liberdade de decidir quais destes “conjuntos de acções” queremos seguir, que é o que nos separa das coisas inconscientes como máquinas e vasos de flores. Além disso, nós podemos apreciar chocolate.

[IFLScience]

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