Sea Quest Hero, o jogo que está a ajudar na investigação sobre a demência

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Cerca de mais de 2,4 milhões de pessoas já descarregaram o jogo “Sea Quest Hero” desde Maio deste ano, contribuindo assim para aquela que já é considerada a maior investigação sobre demência alguma vez feita. Ao ajudarem um idoso, ex-explorador dos oceanos, a recuperar as suas memórias entre mares e pântanos, os jogadores forneceram em apenas 6 meses, dados que equivalem a 9400 anos de pesquisa laboratorial. Desta forma, os utilizadores estão a contribuir para a luta contra a doença de Alzheimer.

Até agora já foi possível perceber que a capacidade de orientação espacial começa a perder-se após o início da idade adulta, e que os homens têm um sentido de orientação ligeiramente melhor do que o das mulheres. Percebeu-se também que os países nórdicos superam todos os outros e é nos países costeiros que se encontram os melhores navegadores.

Quem acede a esta aplicação para smartphones, é convidado a viajar pelo mundo, perseguindo criaturas e recolhendo memórias. Durante o decorrer do jogo, os dados de navegação espacial e sentido de orientação de cada jogador são recolhidos, de forma totalmente anónima, e são depois combinados com os de outros jogadores, numa rede de dados. Apenas seis meses depois de ter sido lançado, os primeiros resultados do “Sea Quest Hero”, foram apresentados na conferência Neuroscience 2016, em San Diego. Segundo a BBC, os investigadores da University College London, que analisaram os dados, acreditam que os resultados poderão vir a ajudar no desenvolvimento de novas formas de diagnóstico em casos de demência.

Os dados já recolhidos, permitiram aos investigadores concluir que a capacidade de navegação espacial começa a entrar em declínio após a adolescência, inicio da vida adulta, e vai diminuindo com o passar dos anos. A pesquisa revelou também, como se dá o processo de navegação, e como este varia nos cérebros das mulheres e dos homens. A mesma publicação lê, que o sexo masculino tem um sentido de orientação um pouco melhor do que o sexo feminino e que neste aspecto os países nórdicos superam todos os outros, embora ainda não existam explicações concretas para o motivo.

Os dados revelam que pessoas mais saudáveis, como aquelas que vivem nos países nórdicos, conseguem conservar as suas capacidades de navegação durante mais tempo e as nações costeiras são aquelas onde existem os melhores navegadores.

A diferença entre homens e mulheres não novidade. “E refere-se à maioria dos homens e à maioria das mulheres”, afirmou o neurologista Lopes Lima, lembrando que também há excepções. “Os homens geralmente têm mais capacidade para ler mapas e se orientarem, enquanto as senhoras têm maior aptidão para fazer coisas minuciosas, para serem mais rigorosas”, explicou. Enquanto o hemisfério esquerdo do cérebro “tem mais a ver com a linguagem”, o direito é “mais importante para a orientação espacial” e estes estão organizados de forma diferente entre homens e mulheres, o que explica as diferenças observadas neste estudo.

Já no que diz respeito às capacidades dos nórdicos, Lopes Lima acredita que possam estar relacionadas “com a cultura viking, que é uma cultura de grande navegação e que naturalmente passou de pais para filhos”, mas isto não tem uma base científica.

Segundo o neurocientista Hugo Spiers, da University College London, este jogo poderá ajudar a desenvolver um diagnóstico precoce de demências como a doença de Alzheimer – que afeta a memória e a capacidade de orientação espacial – e poderá ser útil em ensaios clínicos de medicamentos relacionados com a demência.

Ainda não existe uma forma eficaz de diagnosticar precocemente esta doença, mas Lopes Lima adverte que, embora “no futuro possa vir a ser útil, nesta altura não é”. Isto porque, explica, “não há tratamento para evitar que a doença de Alzheimer apareça”. Isso só iria piorar a vida de quem tivesse um diagnóstico positivo. “Quando houver tratamento, será importante que haja testes para detectar a doença o mais precocemente possível”.

Este jogo foi desenvolvido pela Deutsche Telekom e pela Alzheimer’s Research UK, uma associação sem fins lucrativos que apoia a investigação nesta área e à qual os investigadores agradecem, pela ajuda que tem dado ao entendimento destes problemas, bem como a velocidade a que permitiu que estes dados fossem recolhidos.

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