A reprodução sexual das hienas e a sua complexidade

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A espécie de hiena malhada (Crocuta crocuta) representa um dos animais onde a determinação do seu sexo é algo bastante complicado. O macho tem aparentemente as características normais expectáveis para um animal do sexo masculino, mas as fêmeas, além de serem mais agressivas e até maiores exemplares, possuem um pseudo-pénis. O que significa que a fêmea se comporta de forma semelhante à do macho, com um porte um pouco maior e ainda com os órgãos genitais externos semelhantes.

Kay Holekamp, uma zoóloga da Universidade do Estado de Michigan, explicou à BBC Mundo que “as fêmeas têm um clitóris totalmente eréctil, tão comprido como o pénis de um macho”. Os lábios vaginais da hiena dobram-se de uma forma que acaba por formar uma estrutura muito semelhante ao saco escrotal do macho, contribuindo assim para que se torne ainda mais complicado distinguir um macho de uma fêmea.

Contrariamente aos restantes mamíferos, incluindo ainda outras espécies de hienas (como as listradas e as pardas) a fêmea manchada não possui uma abertura vaginal externa, ou seja, quando chega o momento de dar à luz, após um período de gestação de 110 dias, a parte posterior do pseudo-pénis é rasgada e fica a descoberto uma cicatriz de cor rosada na pele do animal.

Assim, esta estrutura muito semelhante entre o macho e a fêmea, conduziram a que, durante muito tempo, as hienas fossem consideradas animais hermafroditas (animais que possuem ambos os sexos).

“Erros como este eram muito comuns até aos anos 80 até que um cientista encontrou uma maneira de diferenciar (o macho da fêmea) através da forma do extremo do pénis”, contou Holekamp à BBC. A ponta do psudo-pénis da fêmea é menos pontiaguada do que a do macho.

Ao longo do período de acasalamento, o macho tem uma tarefa complicada para conseguir penetrar o clitóris da fêmea, uma vez que esta parte da fêmea é espinhosa (quando erecta) é necessário que o macho seja calmo e preciso para que consiga atingir os seus objectivos. Este tem de ser capaz de introduzir o seu órgão genital no orifício do clitóris, que em alguns caos é maior que o pénis do macho. Holekamp explicou à LiveScience que “os machos precisam de praticar. Ao fim de alguns meses de treino, conseguem alinhar tudo sem problemas”.

Esta característica muito particular das hienas (fêmeas) é também uma forma de evitar que estas sejam “violadas” e ainda permite ao animal escolher com que macho pretende acasalar.

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