Como fazer ratos paralisados andar, sem os paralisar de novo

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Em análise final, a persistência da parálise na história humana pode parecer um pouco absurda. Afinal, em algumas formas da parálise temos um sistema nervoso que é, pelo menos, 99% funcional. A ligação do cérebro até à parte danificada pode estar a trabalhar bem, e da parte danificada até ao membro pode funcionar bem, também. Mas a tecnologia está no caminho certo para encontrar a solução para problema estupidamente simples, e uma ideia promissora chamada e-dura está a demonstrar o quão perto algumas destas soluções estão de testes reais em humanos.

O maior problema para os implantes neurológicos nunca foi de todo a parte neurológica, mas sim a parte do implante. Qualquer ligação entre carne humana e uma máquina metálica é, pondo de uma forma simples, complicada de fazer. Podemos colocar o dispositivo no interior, mas depois teríamos problemas de alimentação, comunicação, manutenção e actualização – e ainda não chegámos ao problema de compatibilidade. Os implantes espinais tiveram avanços incríveis na sua capacidade de ler e até criar sinais neurológicos, mas tudo isso não tem expressão se os implantes que servem para curar acabarem por danificar a espinal de uma nova forma, acabando por levar à rejeição por parte do corpo. Em particular, estudos incríveis que permitem que mamíferos paralíticos recuperem alguma da sua anterior mobilidade têm alguma dificuldade em fazer com que os ratos mantenham os efeitos.

edura-implante-3-300 x 199É uma ironia cruel que a dura-máter, a densa membrana exterior que cobre o cérebro e a espinal medula, tem por muito tempo sido pouco durável para as nossas necessidades. Implantes na cabeça e espinal podem facilmente se anexar a esta membrana relativamente resistente, mas uma vez aplicados eles criaram um novo conjunto de problemas. Ao contrário do osso, a dura-máter movimentasse e esticasse ao longo da nossa vida – e isso causa problemas complicados quando existe um pedaço de tecnologia rígida a roçar e raspar no tecido.

O significado disto é visível no comportamento de ratos implantados. Foram aplicados em ratos não paralíticos implantes e-dura e regulares, e com o passar do tempo os implantes tradicionais fizeram com que os ratos perdessem a sua destreza manual, tropeçassem e eventualmente caíssem quando estava a subir escadas. Os ratos com e-dura não demonstraram quais sinais de deterioração na espinal. A equipa também testou a capacidade de a e-dura ler e fazer a travessia tanto nos sinais neurológicos eléctricos como químicos, tratando a parálise – neste momento.

O que realmente torna o e-dura único, no entanto, é o facto de os seus efeitos poderem durar em mamíferos com esperança de vida maior do que as destes ratos de laboratório.

Para o alcançar, o e-dura teve de se tornar mais avançado do que possa imaginar. A e-dura foi desenhado para ter a mesma resistência e elasticidade que a própria dura-máter, permitindo em teoria que ela se deforme de forma correcta com movimento real e prevenindo que ela raspe ou inflame o tecido. Tudo tem de ser não-tóxico, bio-durável, e mecanicamente compatível com a dura-máter, não só flexível como extensível. Cabos douradas com fendas embutidas que permitem que os cabos se estiquem sem perder a sua condutividade, e os eléctrodos têm um revestimento de polímero extensível. Foi tudo desenhado para somar às mesmas propriedades globais das imediações do implante.

Isto tem implicações maiores do que apenas a fricção física – os ratos com e-dura não demonstraram um aumento da resposta imunológica ao implante, que é outra das causas dos problemas nos implantes tradicionais. Sendo claramente estranho, o corpo identifica os implantes rígidos como estranhos e ataca-os, para o seu detrimento, causando uma rejeição imune. É incrível que este tipo de tecnologia chegou ao ponto de, essencialmente, corrigir erros, e o simples facto de curar parcialmente a paralisia já não é o suficiente para surpreender.

A questão não é se irão começar a seleccionar humanos para testar estes novos implantes práticos, e sim quando.

[ExtremeTech]

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