Ratos com Gaguez Poderão Ajudar os Cientistas a Desbloquear os Segredos dos Distúrbios da Fala em Humanos

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Falar e guinchar podem ser duas coisas bastante diferentes, no entanto uma equipa de pesquisadores da Washington University esperam que ratos gagos vão ajudar a perceber melhor os impedimentos de comunicação humanos.

A razão pela qual as pessoas gaguejam é algo pouco compreendido, apesar de estudos terem mostrado que muitos dos que sofrem da dificuldade em particular têm uma mutação genética que afecta os seus lisossomas. Estes são pequenos, componentes ligados à membrana das células que têm um importante papel em desfazer resíduos, como um género sistema de disposição de lixo intracelular.

Em muitas das pessoas que gaguejam foi detectada a presença de uma versão mutada do gene chamado CNPTAB, que altera a eficiência destes lisossomas. Exactamente como é que isto causa a gaguez ainda é um pouco um mistério, razão pela qual os pesquisadores estavam ansiosos por ver se poderiam utilizar ratos para estudar os efeitos desta mutação em maior detalhe.

Publicando as suas descobertas no jornal Current Biology, os autores do estudo explicam como eles modificaram ratos geneticamente para terem uma mutação no gene GNPTAB. Depois de tal, eles conduziram uma série de testes para determinar se isto levava os ratos a desenvolverem problemas de gaguez nas suas mentes.

Os resultados demonstraram que, quando comparados aos ratos normais, os ratos modificados apresentaram uma maior tendência a serem repetitivos nas suas vocalizações, utilizando uma maior percentagem de sílabas de um mesmo tipo, com muito maiores espaçamentos entre as vocalizações. Este padrão de “fala” é idêntico ao do gaguejar nos humanos, ao ponto de um programa de computador desenhado para matematicamente analisar os padrões de fala ser incapaz de distinguir entre o gaguejar dos ratos e dos humanos.

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Confiantes de que a mutação realmente tem o mesmo efeito nos ratos que tem nos humanos, os autores do estudo submeteram os ratos a uma variedade de outros testes de comportamento de foram e perceber mais acerca de como a condição se desenvolve. Surpreendentemente, depois de analisar cerca de 50 atributos não-verbais – como o balanço, coordenação e memória – eles não conseguiram encontrar qualquer diferença entre ratos que gaguejam e ratos que não gaguejam.

Comentando esta descoberta, o principal pesquisador Timothy Holy descreveu o impedimento de fala como “um defeito muito limpo”, acrescentando que “uma das coisas que achamos cientificamente interessantes sobre a gaguez é que é tão precisamente limitada à fala”.

Tendo demonstrado com sucesso que a mesma mutação genética pode causar a condição tanto em humanos como em ratos, os pesquisadores poderão agora ter a oportunidade única de investigar as implicações biológicas da gaguez utilizando os seus ratos modelo.

De momento, não estão mais próximos de descobrir como é que os lisossomas deficientes produzem os problemas de fala, no entanto, dado o facto de os ratos e os humanos utilizarem mecanismos de fluxo de ar bastante diferentes quando vocalizam, é pouco provável que a resposta esta nos mecanismos físicos através dos quais os sons são produzidos.

Em vez disso, os autores do estudo especulam que o “primeiro deficit na fala com gaguez [poderá ser] a incapacidade de iniciar sequências de vocalização”. Mais trabalho será necessário de forma a determinar a precisão desta suposição, apesar de por agora a descoberta significativa no que toca à gaguez, é que não existe grande diferença se é um homem ou um rato.

[IFLScience]

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