Projecto Ícaro – Qual a relação entre animais e desastres naturais

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O estudo de nome Projecto Ícaro, pretende utilizar os animais como um sistema de aviso antecipado para a ocorrência de terramotos entre outros eventos naturais. Para isso utiliza um conceito intitulado de “movimento da ecologia”. Este projecto tem voluntários por todo o mundo, fundos de 13 milhões de dólares e ainda um satélite, que será lançado no mês de Outubro deste ano, 2017.

Martin Wikelski, é um perito em migrações e também o responsável pelo Projecto Ícaro, uma parceria entre o Max Planck Institute, o centro Aeroespacial da Alemanha e a Agência Espacial da Federação Russa, que pretende utilizar o conceito de “movimento da ecologia” para prever catástrofes naturais como por exemplo terramotos, entre outros.

Basicamente a ideia principal é monitorizar os padrões de movimentação dos animais e relacioná-los com os eventos naturais, estabelecendo dessa forma uma possível relação entre eles. Com todos os dados recolhidos, os cientistas envolvidos no projecto pretendem conceber um modelo computorizado que permita antecipar a ocorrência de uma catástrofe natural com base na dinâmica dos movimentos dos animais que estão a ser monitorizados para o efeito.

Para que tal seja possível, a escala de animais a serem monitorizados é bastante grande, por isso, o Projecto Ícaro é “Open Source”, ou seja, realizado apenas com voluntários que se inscrevam online para ajudar no estudo. Até agora, contam-se nas dezenas os mamíferos, aves, peixes e insectos já marcados e equipados com micro emissores. Com a ajuda destes voluntários, Wikelski espera conseguir atingir milhares de animais até ao final do próximo ano.

“É mais ou menos como um novo sistema de SMS global, em que os animais funcionam como unidades autónomas”, afirmou Wikelski à Bloomberg acerca do Projecto Ícaro, acrónimo de International Cooperation for Animal Research Using Space (ICARUS, Ícaro em Inglês). “As pessoas chamam-lhe a Internet das asas”.

Este projecto nasceu após Wikelski ter conseguido rastrear a migração de elefantes indonésios para terreno seguro antes de um tsunami ter atingido o país no ano de 2004 e de, em 2012 e 2014, ter monitorizado as movimentações de cabras e ovelhas nas imediações do Etna, antecipando dessa forma as erupções vulcânicas que ocorreram.

As agências espaciais alemã e russa, responsáveis pelo lançamento do satélite que recolherá toda a informação gerada (o que deverá acontecer em Outubro), prometeram a Wikelski e à sua equipa de 50 universitários, de 37 países, um total de 13 milhões de dólares para desenvolver e lançar o satélite.

“As possibilidades para a navegação, para os humanos, são imensas”, disse Antoine Dujon, doutorando da Universidade Deakin, na Austrália, que estuda como as tartarugas marinhas utilizam a força da gravidade como um mapa para regressar ao local do seu nascimento. “Os animais podem transportar doenças. O que queremos saber é para onde, pois se o soubermos, podemos criar áreas protegidas”. Navinder Singh, um ecologista da Universidade sueca de Ciências da Agricultura, afirmou ainda que o Projecto Ícaro tem o potenciar de ajudar os gestores agrícolas a utilizarem dados que até agora não têm um propósito definido.

O problema deste projecto é que esta tecnologia pode ser utilizada para rastrear humanos. “É um problema que pode surgir”, reconhece Wikelski, que afirma ainda a esse respeito que mantém o seu código privado e que monitoriza cuidadosamente onde e quando esta rede é usada.

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