Primeiro Sistema Solar alienígena descoberto há quase 100 anos atrás

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A pesquisa por exoplanetas decorre há décadas. Até agora, milhares de planetas foram catalogados, desde os potencialmente habitáveis ao decididamente estranhos e hostis.

A descoberta dos primeiros exoplanetas, dois mundos a orbitar um violento pulsar, foi feita em 1992, com o primeiro planeta a orbitar uma estrela similar ao Sol a ser anunciado em 1995. No entanto, como uma curiosa história carregada no servidor arXiv revelou, as primeiras pistas de planetas foram do nosso Sistema Solar foram encontradas acidentalmente algures em 1917 – os astrónomos na altura apenas não se aperceberam disso.

Quando a Primeira Guerra Mundial estava a chegar ao fim, o astrónomo germano-americano Adriaan van Maanen ocupou o seu tempo diligentemente fotografando as estrelas no Observatório de Mount Wilson perto de Los Angeles. Por um feliz acaso ele encontrou uma das primeiras anãs brancas, a sobra de uma estrela como a nossa e a mais próxima de nós, vagueando pelo cosmos a 14 anos-luz. Esta sobra de estrela foi nomeada “van Maanen 2”.

“Com uma visão retrospectiva 20-20, é agora possível dizer que a primeira indicação observacional – por qualquer meio – da existência de um sistema planetário extra-solar surgiu à cerca de um século atrás quando van Maanen descobriu e notou o espectro da anã branca singular mais próxima da Terra”, escreveu Ben Zuckerman, um professor de física e astronomia na University of California, Los Angeles (UCLA), e o autor do documento. Uma análise recente de detritos que interagem com anãs brancas confirma esta noção.

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Maanen utilizou uma placa de vidro para capturar o espectro de emissão da anã branca, que é a sua radiação que escapou. Este espectro permite aos astrónomos não só descobrir a composição química da estrela, mas também revelam qualquer coisa que encontre pelo caminho – uma nuvem de poeira, por exemplo, ou mesmo um planeta. Estes obstáculos na linha de vista aparecem como “linhas de absorção” na imagem espectral.

Na altura, algumas misteriosas linhas de absorção passaram desapercebidas pelo astrónomo. O prato foi armazenado, e Maanen continuou o seu trabalho até morrer em 1946. Avançamos para 2014, e Zuckerman estava a gastar o tempo à procura da placa, esperando utiliza-la como um simpósio cientifico.

Ao examina-la, Zuckerman reparou numas linhas de absorção previamente não encontradas, que pareciam indicar que van Maanen 2 continha elementos pesados, como cálcio, magnésio e ferro. Apesar de estes poderem ser observados noutros tipos de estrelas, as anãs brancas só deviam conter hidrogénio e hélio. Mas então de onde vinham estes elementos adicionais?

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Nos últimos 12 anos, os astrónomos perceberam que algumas anãs brancas poderiam ser “poluídas” por anéis de detritos rochosos próximos, muitos dos quais inevitavelmente acaba por cair na estrela e contamina-la. Estes detritos originalmente vieram de restos de objectos planetários, que continham estes elementos mais pesados.

Juntando tudo isto, Zuckerman teve o seu próprio momento eureka: van Maanen 2 era uma anã branca rodeada por detritos planetários rochosos que estavam a “polui-la”. Isto, mais do que provavelmente, significa que o primeiro sistema planetário fora do nosso Sistema Solar foi descoberto não em 1992, mas em 1917 – 75 anos antes.

Apesar de não terem sido ainda encontrados exoplanetas em si, poderão ter existido lá a dada altura para existirem detritos planetários.

[IFLScience]

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