Porque temos cérebros tão grandes?

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Os humanos conviveram com diversos tipos de hominídeos, que ultrapassaram, mataram, ou com os quais procriaram, e apesar de vermos constantemente nas notícias noticiais de violência entre humanos, somos seres extremamente sociáveis, e apesar de vivermos em cidades com milhões de pessoas, convivemos relativamente serenamente, e tudo isto se deve a termos um cérebro “social” extremamente grande, complexo e desenvolvido.

Mesmo para o neuro-biologista Steven Rose, é um mistério extremamente complexo a forma como o nosso cérebro funciona, teríamos de saber tudo acerca dos 86 biliões de neurónios, dos seus 100 triliões de ligações, e todo o seu funcionamento até às mais de 1000 proteínas que existem em cada ligação, e ainda assim, não saberíamos praticamente nada, pois seria necessário saber como é que estas ligações teriam evoluído durante a vida da pessoa e até o contexto social nas quais estas surgiram, e seriam necessários séculos para compreender a conectividade neurológica básica.

Apesar de muitas pessoas pensarem que o nosso cérebro funcionada como um computador super-poderoso, a realidade não é bem essa, e apesar de os sentidos, capacidade de aprendizagem e reflexos nascerem connosco, a informação, regras e algoritmos e tudo mais, não nascem connosco, e estas são cruciais para a “inteligência” dos computadores.

Além disso, os computadores têm a capacidade de manter a informação alterada durante grandes períodos de tempo, ainda que sem qualquer tipo de alimentação eléctrica, já os nossos cérebros, são capazes de criar informação ou memórias falsas, e apenas mantém a informação enquanto estamos vivos.

É claro que, existem diversas vantagens em termos um cérebro grande, pois permite-nos coabitar em grupos de larga escala, e assim diversificar também a produção de alimentos e a partilha dos mesmos, e permite-nos também, especializarmo-nos em áreas específicas para que sejamos sempre os melhores nos campos e funções que desempenhamos, sejam estes mais ou menos complexos.

Uma vez que os humanos não possuem armas no seu corpo, a capacidade de utilizar ferramentas e de se unir em grandes grupos, torna-se crucial para a sua sobrevivência. Conviver em grandes grupos implica uma elevada capacidade cognitiva, e assim que saímos desse grupo, perdemos acesso a tudo desde a alimentação, até à segurança proporcionada por este.

O antropologista Robin Dunblar, da Oxford University, acredita que o nosso cérebro tem as dimensões que apresenta actualmente, devido à necessidade de armazenar todos os dados de todas as reacções sociais que temos, e é necessária uma grande capacidade cognitiva para subsistir em grandes grupos sociais.

O cérebro humano é extremamente flexível e tem a capacidade de se organizar conforme o ambiente e a sociedade nas quais o indivíduo se desenvolve, portanto a cada nascimento, o cérebro desse novo ser adapta-se às condições que o circundam, e isto inclusive ajuda-nos a entender o porquê de no geral as gerações anteriores não compreenderem as gerações seguintes, devido à forma diferente como se desenvolveram os seus cérebros.

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