Planeta mistério localizado a 363 anos-luz

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Trata-se este de um planeta muito grande e demasiado perto de uma estrela super-rápida. Não há nenhum sinal da origem deste Sistema e os cientistas não conseguem explicar de onde apareceu.

Algo incógnito se passa a 363 anos-luz de nós, mais precisamente na constelação de Centauro. Até agora, os cientistas acreditavam que os sistemas planetários se formavam através de um disco de gases e poeira, que, por sua vez, orbitava uma estrela recém-formada. Mesmo quando os planetas já estavam formados, os astrónomos defendiam que durante milhões de anos seria possível observar vestígios desse disco, que servia como um berço de planetas.

Acontece que os cientistas do Instituto Max Planck, encontraram um planeta muito jovem, com cerca de 14 milhões de anos, a orbitar uma estrela sem sinais de um disco protoplanetário que possa ter dado origem a esses corpos celestes. Isso coloca em causa todo esse modelo de formação de planetas em que a ciência se baseou. Uma vez que um planeta tão massivo devia ter nascido de uma nuvem de gás e poeira muito denso em rotação.

O planeta de nome HIP65426b, é um planeta gigante, com mais de 6 a 12 vezes a massa de Júpiter, ou seja, se o nosso gigante gasoso tivesse a massa de uma laranja, este exo-planeta “pesaria” o mesmo que um tijolo. Este tem pelo menos 1.327ºC e orbita a sua estrela uma vez a cada 600 anos terrestres, isto porque está 92 vezes mais longe da HIP65426 do que a Terra está do Sol. Assim, terá três vezes a distância entre Neptuno e o Sol. Para chegar até ele teríamos de viajar durante 363 anos à mesma velocidade da luz.

Este foi, até à data, o primeiro planeta descoberto pelo SPHERE, um instrumento do Very Large Telescope, montado no Chile, com o selo do Observatório Europeu do Sul. Este conseguiu uma imagética directa, uma forma muito rara de encontrar corpos celestes para lá do Sistema Solar. Conseguiu encontrar vapor de água e nuvens avermelhadas muito semelhantes às que observamos em Júpiter. De seguida, viu ainda uma atmosfera a partir da qual se espera estudar melhor o tamanho das partículas que a compõem bem como a sua composição química. Só não se viu ainda sinais da origem de HIP65426b.

Contudo, não é apenas HIP65426b que intriga os cientistas, a estrela que ele orbita, a HIP65426, também é muito peculiar. Trata-se de uma estrela do tipo A2 com 2 vezes a massa do Sol e quase 3.000°C mais quente. E, à semelhança do Sol, também HIP65426 gira em torno dela própria, mas com uma característica distinta, é 150 vezes mais veloz do que o Sol nesse movimento de rotação, algo único para uma estrela que não está na influência do campo gravitacional de outra estrela. Sendo esta outra característica que contraria o modelo de formação dos planetas aceite pela comunidade científica até agora.

Os cientistas já têm, no entanto, uma teoria que pode explicar o estranho mundo de HIP65426b. É possível que este planeta tenha sido formado muito mais perto da sua estrela ao mesmo tempo que outro planeta massivo nascia. Ou seja, durante os primeiros anos da vida, HIP65426b pode ter-se aproximado tanto do seu planeta-irmão que foi empurrado para a posição que ocupa hoje. Enquanto isso, o outro planeta pode ter-se aproximado da estrela e iniciado um movimento que fez com que esta começasse a girar muito depressa. Esse planeta pode então ter sido consumido pela estrela, motivo pelo qual já não o conseguimos observar.

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