Pesquisadores inventaram uma linguagem de programação para as células vivas

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Graças a diferentes linguagens de programação, nós conseguimos fazer coisas fantásticas com a tecnologia que as pessoas no passado considerariam impossíveis. Imagine alguém dos finais de 1800 a olhar para um iPhone.

Apesar da maioria das aplicações transformativas para linguagem de programação baseadas em texto serem utilizadas em vários dispositivos modernos e computação digital, poderemos ter dado um passo na direcção de “hackear” a própria vida, com os pesquisadores de MIT a anunciarem que conseguiram criar uma linguagem de programação que lhes permite criar circuitos codificados com DNA e controlar células.

Sim, os cientistas desenvolveram uma linguagem de programação baseada em texto que pode “rapidamente desenhar complexos, circuitos codificados com DNA que dão novas funções a células vivas”. Isto significa que, através do poder da programação, os pesquisadores poderão criar sequencias de DNA para utilizar dentro de coisas como bactérias e vírus.

“É literalmente uma linguagem de programação para bactérias”, disse um dos pesquisadores, Christopher Voigt. “Usa-se uma linguagem baseada em texto, como se estivesse a programar um computador. Depois pega nesse texto, e compila-o e torna-se numa sequência DNA que pode colocar numa célula, e o circuito funciona dentro de uma célula”.

Apesar do design e a implementação de partes genéticas fabricadas por humanos existam há cerca de 15 anos ou assim, fazer estas partes foi um processo extremamente longe e trabalhoso que requereu que os pesquisadores tivessem uma compreensão extensa de engenharia genética.

A nova linguagem efectivamente elimina essa necessidade e permite que qualquer um, mesmo aqueles sem qualquer histórico de trabalho em genética, crie circuitos no momento. Essencialmente, a linguagem pega no texto e converte-o em sequências DNA.

Para consegui-lo, a equipa baseou a nova linguagem num pré-existente chamada Verilog, que é maioritariamente utilizada nos chips dos computadores. Com isso como base, eles atribuíram diferentes elementos de computadores a diferentes partes do DNA.

Até agora, a linguagem está desenhada especificamente para a E. coli, mas a equipa está a trabalhar para que possa trabalhar com muitas outras bactérias. Isto permitiria que uma única linguagem compilasse instantaneamente sequências DNA para diferentes tipos de bactérias comuns – um processo que levaria uma eternidade pelos métodos comuns.

Apesar de tudo isto poder soar um pouco perverso, os pesquisadores por detrás deste código têm como objectivo conquistar alguns dos maiores problemas na ciência, oferecendo soluções tais como “bactérias que poderão ser ingeridas para tratar a digestão da lactose; bactérias que poderão viver em raízes de plantas e produzir insecticida se sentirem que a planta está a ser atacada; e fermento que poderá ser projectado para cortar que estão a produzir demasiados subprodutos tóxicos num reactor de fermentação”, dizem Eles.

Não se sabe ainda se alguém poderia criar, digamos, um super-vírus utilizando esta ferramenta. Apesar de este ser obviamente um cenário do pior caso, não é complicado imaginar algo como isso a acontecer.

Mas a linguagem ainda estado em estado embrionário, e tem um longo caminho pela sua frente antes de podermos começar a questionar se terá ou não a capacidade de tornar o nosso mundo numa novela de Ficção-cientifica apocalíptica, portanto vamos esperar que atinja o seu potencial como algo que possa fundamentalmente muda a forma como administramos medicação e diminuir o desperdício.

[ScienceAlert]

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