Pele recriada em laboratório salva menino de 7 anos

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A criança de 7 anos sofria de uma doença genética, que, por consequência, tornava a pele frágil e criava bolhas e feridas. Praticamente sem epiderme e perto da morte, o rapaz recebeu um transplante inédito que lhe salvou a vida.

Este rapaz sírio de 7 anos sofria de uma doença genética que o fez perder 80% da epiderme, e foi agora salvo por uma equipa de cientistas que conseguiu desenvolver e realizar o transplante de pele geneticamente modificada, totalmente criada em laboratório.

A doença de Hassan, filho de refugiados sírios na Alemanha, era causada por uma mutação num gene, o LAMB3, que cria proteína que liga a epiderme, ou seja, a superfície da pele, às camadas mais profundas da mesma. A mutação genética fazia com que a proteína não fosse produzida e a pele desenvolvesse bolhas facilmente, por isso, a criança tinha feridas e úlceras com regularidade que acabaram por se tornar crónicas.

A família de Hassan chegou à Alemanha em no ano de 2013, e quando o levaram ao hospital para ser tratado, o menino já tinha perdido a epiderme em 80% do corpo, tendo apenas pele na cabeça e na perna esquerda (em torno da zona da virilha). Hassan recebia morfina para suportar a dor e preparava-se para receber cuidados paliativos, após todas as tentativas de tratamento por parte dos médicos terem falhado.

Mas a equipa de médicos do Hospital Universitário Infantil da Universidade de Bochum, em Ruhr, tentou fazer um transplante da pele do pai de Hassan, mas este foi rejeitado pelo organismo do filho. A última esperança da equipa estava então num grupo de cientistas italianos que desenvolveram uma técnica para regenerar pele saudável em laboratório.

A equipa de cientistas italianos já tinha conseguido transplantar pele criada em laboratório para diferentes e pequenas partes do corpo, mas nunca tinha tentado algo semelhante, que era requerido no caso de Hassan. Liderados por Michele De Luca, da Universidade de Modena, a equipa de cientistas começou por retirar uma amostra da pele saudável de Hassan. De seguida, modificaram a pele geneticamente, usando um vírus para que este entregasse uma versão saudável do gene LAMB3 no núcleo.

Assim, a equipa conseguiu fazer crescer pele suficiente para cobrir quase todo o corpo do rapaz, e o transplante foi feito em duas operações, realizadas no ano de 2015. Passado uns meses, a pele transplantada já estava integrada com as camadas mais profundas da pele.

A pele humana contém células estaminais que permitem que esta se vá renovando ao longo do tempo, e as células geneticamente modificadas da pele transplantada para Hassan, permitiram que esta se fosse renovando assim que foi integrada no organismo.

Após 2 anos da intervenção, e segundo os médicos, Hassan mantém-se saudável – não precisa de medicação, as suas feridas saram normalmente e brinca como qualquer criança.

Um risco associado a este tipo de tratamento genético é a possibilidade do desenvolvimento de cancro da pele, contudo, a equipa de médicos e investigadores não encontrou vestígios de mutações perigosas no organismo de Hassan.

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