Pandas salvos da extinção, mas continuam ameaçados

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Os pandas gigantes foram retirados da lista de espécies em risco de extinção no ano de 2016. No entanto, um novo estudo revela que o habitat natural destes animais, é menor do que há 30 anos atrás, e a sua população está cada vez mais fragmentada e isolada. A situação desta espécie ameaçada parecia estar a melhorar, a China investiu na protecção dos pandas-gigantes, e em 2016, a União Internacional para a Conservação da Natureza, alterou o seu status de ‘ameaçados’ para ‘vulneráveis’.

Foi publicada esta semana na revista ‘Nature’, a pesquisa que alerta contra o comodismo causado por essa alteração do estatuto dos pandas-gigantes na lista de espécies ameaçadas pela extinção. Os resultados alertam para a perda de habitat, o turismo, e os efeitos das mudanças climáticas, que representam uma pressão cada vez maior sobre os pandas.

Uma equipa de cientistas utilizou tecnologia geoespacial e dados de detecção remota afim de mapear os efeitos humanos sobre as últimas florestas de bambu onde vivem estes mamíferos.

“O que os meus colegas e eu queríamos saber era como o habitat do panda mudou nas últimas quatro décadas”, questionou Stuart L. Pimm, um dos autores do estudo, “porque a extensão e a conectividade do habitat de uma espécie também são factores de grande importância para determinar o seu risco de extinção”.

Ao serem analisadas imagens de satélite produzidas desde 1976 até hoje, os especialistas descobriram que o habitat do panda-gigante, encolheu e fragmentou-se durante os últimos 40 anos.

O grupo de pesquisa incluiu os investigadores Jianguo Liu, da Universidade Estadual do Michigan (EUA), e Zhuyan Ouyang, da Academia Chinesa de Ciências, que estudaram a distribuição geográfica dos pandas desde o ano de 2001.

“As mudanças mais óbvias desde que o professor Liu e o seu colega Zhiyun Ouyang visitaram a região habitada pelos pandas pela primeira vez, em 2001, foram o aumento e o incremento de autoestradas e de outras obras de infra-estrutura [naquela área]”, afirmou Pimm, professor de ecologia de conservação na Universidade de Duke, nos EUA, em comunicado de imprensa.

“Essas foram as principais causas da fragmentação do habitat. Em 2013, a densidade de estradas era cerca de três vezes maior do que em 1976”, acrescentou Pimm.

A pesquisa constatou ainda que, a população restante de pandas-gigantes está dividida em 30 grupos isolados, 18 dos quais são compostos por menos de dez animais. Isso significa que existe um elevado risco para a extinção local dos pandas-gigantes.

O estudo questiona os dados que levaram a IUCN a alterar o estatuto dos pandas-gigantes para espécie ‘vulnerável’. Os animais tinham sido listados como ‘ameaçados de extinção’ pela primeira vez no ano de 1988.

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