Os ratos de laboratório poderão influenciar os estudos

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Os ratos de laboratório, são mantidos e criados num ambiente limpo, e isto poderá estar a influenciar os estudos acerca do sistema imunológico. Todos sabemos que os laboratórios são ambientes bastante limpos e estéreis, o que é bom para as amostras e para os cientistas, mas ao que parece não é tão bom assim para os ratos que utilizamos em estudos acerca do sistema imunológico, uma vez que nenhum humano é mantido permanente num ambiente tão limpo na vida real.

O sistema imunológico humano, é exposto durante a vida a diversos patogénicos, que ajudam o sistema a se afinar, e nós utilizamos esse facto para inclusivamente criar melhores e novas vacinas, e estudamos a forma como os micro-organismos influenciam a nossa saúde.

Tal como o nosso, o sistema imunológico dos ratos é também influenciado pelo meio ambiente, e pesquisadores do University of Texas Southwestern Medical Center têm chamado atenção para este facto.

“A experimentação em ratos tem permitido um aumento no conhecimento da imunologia e outros campos biomédicos”, escrevem as imunologistas Tiffany Reese e Lili Tao.

“Apesar dos avanços significativos, que fizemos na compreensão do sistema imunológico com os estudos em ratos, existe uma constante preocupação acerca da utilidade de modelos de ratos”.

Juntando isto ao facto de os ratos normalmente serem criados em ambientes extremamente limpos, cria-se uma margem para erros nos resultados de estudos no campo do sistema imunológico, explicam os pesquisadores.

Basicamente, se nos basearmos em resultados de estudos com este tipo de ratos, e depois tentarmos aplica-los a humanos, naturalmente encontramos discrepâncias, uma vez que nós não somos criados em ambientes estéreis. Por exemplo, se os ratos de laboratório não forem expostos ao murine cytomegalovirus (comum nos ratos selvagens), as suas respostas imunitárias obviamente alteram-se a um ponto no qual eles passam a conseguir sobreviver a outras bactérias, as quais normalmente seriam letais para eles.

“Estes patogénicos provavelmente representam componentes do microbioma dos ratos, e poderá influenciar diversos aspectos da fisiologia dos ratos de forma importante”, explica a equipa.

Portanto, uma coisa é certa, temos de encontrar uma melhor alternativa aos ratos de laboratório para este tipo de estudos, e temos de criar uma alternativa aos estudos com animais.

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