Os polvos podem alterar a sua genética

0

Os polvos podem alterar a sua própria informação de ADN como estratégia de evolução, esse pode ser o motivo da inteligência e comportamento complexo destes cefalópodes.

Não só os polvos, mas também as lulas, entre outros animais da família dos cefalópodes, conseguem alterar as informações transportadas pelos próprios genes, concluiu assim um estudo publicado esta semana na revista científica Cell.

Estes animais (moluscos marinhos), não seguem à regra a informação armazenada no seu ADN, tendo assim capacidade para interferir e alterar essa mesma informação numa possível estratégia evolutiva que pode justificar a sua elevada inteligência e comportamentos complexos, acreditam assim os cientistas. Isso só é possível quando o organismo produz uma molécula que diversifica as proteínas geradas pelas células, induzindo variações da informação genética.

Para ser possível compreender este fenómeno, é necessário avaliar dois conceitos distintos, o ADN e o ARN. O primeiro, ácido desoxirribonucleico, é uma cadeia em dupla hélice que transporta todas as informações genéticas que fazem com que cada indivíduo seja único. Por exemplo, a cor dos olhos, o tom da pele ou mesmo a predisposição natural para uma determinada doença. Estas são características individuais que estão previstas pelo ADN.

Já o ARN, ácido ribonucleico, é formado apenas por uma cadeia e é bem mais pequeno que o ADN, pois não passa de uma cópia de um segmento de ADN, a partir do qual é sintetizado num processo de nome, transcrição. Uma das principais funções do ARN é transportar instruções de uma parte específica dos genes e entrega-las às células para estas produzirem as proteínas do organismo.

O que os polvos fazem é modificar o ARN que está armazenado nos núcleos das células cerebrais, no lugar de induzir mutações directamente no ADN. Assim, o organismo vai produzir proteínas diferentes das anteriormente previstas e vai induzir variações da informação genética que levem as células a fazer algo diferente do que tinha sido instruído pelo ADN.

Mas ainda não é certo em que circunstâncias é que esses animais colocam esta estratégia em prática, ainda que os cientistas acreditem que este factor pode justificar a inteligência e os comportamentos complexos dos polvos.

Este mecanismo já tinha sido identificado em outros animais, incluindo o ser humano, mas nunca estudado e avaliado com a dimensão encontrada nos cefalópodes.

Enquanto que nas pessoas e nas moscas da fruta esta modificação do material genético acontece em apenas 1% das vezes que o corpo transcreve ARN a partir do ADN, nos polvos e lulas, essa estratégia foi observada em 60% das vezes nas células do cérebro.

Leave A Reply