Os matemáticos procuram a melhor forma de fazer uma boa chávena de café

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O café é uma das bebidas mais consumidas em todo o mundo e é também uma das preferidas. Quando bebemos café não temos a noção de que, esta bebida é constituída por mais de 1800 componentes químicos, tendo em conta este factor e outros, um grupo de matemáticos tentou calcular a melhor forma de extrair café dos grãos, a fim de conseguir produzir o café perfeito.

Esta investigação foi publicada este mês de Novembro na revista SIAM Journal on Applied Mathematics, e deverá ajudar os consumidores de café a fazer uma excelente chávena de café, e os produtores de máquinas a melhorarem os seus equipamentos de forma a que estas já produzam cafés de qualidade superior.

Segundo Kevin Moroney, da Universidade de Limerick, na Irlanda, e William Lee, da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, o tamanho dos grãos do café e a maneira como este é filtrado são factores essenciais para o resultado final, bem como a temperatura da água, que deve estar entre 91 e 94 graus Celsius.

“A nossa ideia é criar um modelo matemático completo de preparação de café que poderia ser usado para desenhar máquinas de café”, afirmou Lee à BBC. “É um pouco como a teoria da mecânica fluida e sólida é usada para criar carros de corrida”.

Para o desenvolvimento deste estudo, os matemáticos analisaram “o efeito do tamanho do grão na maneira que o café sai do filtro da máquina”, os grãos são colocados no filtro e depois é despejada a água quente, que os dissolve.

“A parte mais surpreendente é que há dois processos para extrair o café dos grãos”, explicou William Lee. “Há um processo muito rápido no qual o café é extraído da superfície dos grãos e há um mais lento onde o café sai do interior dos grãos”.

“Em princípio, a concentração de café depende da relação entre a extracção rápida do café da superfície dos grãos [chamada a primeira extracção]e a velocidade a que a água absorve o café”, disse Kevin Moroney, segundo o Huffington Post. “Já a segunda extracção é determinada por uma difusão mais lenta, à medida a que a água penetra em profundidade nos maiores grãos”, acrescentou.

Verificou-se que o café extraído de grãos muito pequenos é amargo e de grãos muito grandes é aguado. Os matemáticos querem conseguir quantificar esta visão, “Em vez de dizer “tenho de ter grãos maiores” posso dizer “’quero ter esta quantidade de café a sair dos grãos, preciso de grãos exactamente do tamanho X'”.

O investigador da universidade inglesa afirmou que os grãos maiores são de qualidade superior, pois tornam o café menos amargo. “Quando são maiores diminuiu a área de superfície total e a água flui mais rapidamente entre os grãos”, disse Lee. Desta forma, também é diminuída a quantidade de extracção de café.

“Para aplicações industriais, esperamos que as máquinas de café possam ser optimizadas para suportarem grãos de um determinado tamanho”, acrescentou.

Para já, a procura pelo café perfeito não está terminada, os investigadores querem analisar qual é a melhor forma de acrescentar água aos grãos e a forma que os grãos criam no filtro depois de utilizados.

Adicionar a água aos grãos num único jacto colocado no centro, como numa torneira, ou por vários jactos, como um chuveiro, “tem efeitos diferentes no café”, explicou ainda o matemático Lee.

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