Os cientistas tele-transportaram objecto para a órbita da Terra

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Uma equipa de investigadores conseguiu tele-transportar um fotão, uma partícula que compõe a luz, para a órbita do planeta Terra. Este é o mais longo tele-transporte alguma vez conseguido.

O tele-transporte não é, na verdade, como o imaginamos em filmes, mas ainda assim, isso revela que algo de muito promissor foi descoberto. Alguns investigadores na China, conseguiram, pela primeira vez, tele-transportar um objecto para fora do planeta e colocá-lo em órbita. Segundo o estudo publicado no site da Universidade de Cornell, essa equipa de cientistas conseguiu tele-transportar um fotão, sendo esta a partícula subatómica que compõe a radiação electromagnética, para o satélite Micius, que está situado a 500 quilómetros da superfície da Terra.

Tudo isto foi possível graças à física quântica, e essa é forma de tele-transporte que a ciência já alcançou, o tele-transporte quântico, algo que conhecemos desde os anos 90. Assim, o que a ciência já consegue é transferir a condição quântica de uma partícula, isto é, o estado exacto de um átomo ou fotão, para outra partícula que está mais longe. A partícula em si não sai do lugar, no entanto, o seu estado é transferido para outra partícula, graças a um princípio chamado de Teorema da Não-Clonagem, é impossível criar uma cópia idêntica de um estado quântico sem destruir o estado quântico original. Seria preciso destrui-lo para tirar dele toda a informação necessária para criar a cópia do estado quântico.

Algo que é realizado há 20 anos. No ano de 1997, fez-se um tele-transporte quântico entre duas partículas separadas por uma distância de 800 metros uma da outra, mas ambas estavam localizadas no interior do mesmo laboratório. Já em 2012, outra equipa de cientista conseguir tele-transportar uma partícula a uma distância de 143 quilómetros da outra nas Ilhas Canárias, alcançando o primeiro tele-transporte quântico fora do laboratório. Mas, algo de novo aconteceu com os investigadores na China, não só foi o primeiro tele-transporte quântico feito para fora do planeta, como foi realizado com a maior distância alguma vez alcançada entre as duas partículas.

O fotão envolvido na experiência foi enviado para um satélite que funciona como um receptor de fotões ultra-sensível, chamado Micius ou Satélite para Experiência de Ciência Quântica, e que, embora já faça parte de um projecto internacional para análises quânticas, inclui também o programa espacial chinês. O que esse satélite faz é detectar os estados quânticos de fotões enviados a partir do solo. Ou seja, Micius faz um “download” das informações quânticas transmitidas e depois transfere-as para um segundo fotão com que está relacionado. O segundo fotão assume a identidade do primeiro, acontecendo assim um tele-transporte.

O próximo passo não será tele-transportar nenhum objecto muito grande, é que, ressalva a equipa de cientistas no estudo, embora não haja ainda um limite de distância de tele-transporte ou de tamanho da partícula, é necessário ter em conta que a ligação que se estabelece entre as duas partículas envolvidas nessa operação é muito frágil.

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