Organismos resistentes a radiações podem sobreviver no espaço

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Existe uma equipa de cientistas da NASA que acredita que o segredo para a vida em Marte, pode estar em Chernobyl. O desastre nuclear que ocorreu em 1986, na Ucrânia, resultou na emissão de altas doses de radiação em toda a região ao redor da planta nuclear.

O que realmente interessa aos cientistas é o efeito a longo prazo que essa radiação teve nos seres vivos e como é que isso pode ser aplicado em diferentes campos, como por exemplo a medicina e a conservação. No entanto, para a NASA, os organismos que sobreviveram a este desastre, podem ser utilizados para criar uma protecção para os humanos sobreviverem no espaço.

Em 2016, os cientistas da organização espacial, enviaram oito espécies fúngicas da zona de exclusão de Chernobyl para o espaço. Os fungos foram mantidos a bordo da Estação Espacial Internacional e das oito espécies enviadas, duas foram especialmente bem-sucedidas em superfícies radioactivas.

“A radiação vista em Chernobyl é alta, mas esse fungo preto foi o primeiro a surgir [depois do desastre], antes mesmo das bactérias”, explicou o líder do estudo, Kasthuri Venkateswaran, ao portal Motherboard.

“Foi assim que seleccionamos esses fungos em um ambiente tão rico em radiação. Eles persistiram graças a um tipo de codificação de proteína e informação molecular que protege contra o nível radioactivo”, completou Venkateswaran.

Os cientistas anseiam a possibilidade de estudar os organismos para desenvolver algo como um protector solar contra radiação espacial, que possa ser utilizado para proteger os astronautas. Recentemente, os fungos voltaram para a Terra e, por mais que o estudo ainda esteja em estágio inicial, os investigadores permanecem em trabalho no produto final.

“Nós precisamos tomar todas as precauções antes de criar uma habitação humana em Marte e além”, disse Venkateswaran. O estudo dos organismos sobrevivente de Chernobyl, também pode ajudar os cientistas a desenvolverem mudas que sobrevivam à radiação no espaço, possibilitando assim o cultivo de plantas em outros planetas.

Ainda que Chernobyl tenha níveis de radioactividade mais altos do que as naves espaciais terão, a forma como os organismos desenvolvem uma grande tolerância a áreas contaminadas, pode revelar pistas de como as plantas sobreviveriam à radiação cósmica.

“Genes resistentes à radioactividade podem ser incorporados a células de leveduras que produzem cerveja para que os humanos estejam dispostos a ir ao espaço – eles terão uma cerveja melhor para beber”, explicou o investigador da NASA.

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