O motivo do consumo de plástico pelos peixes nos oceanos

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Inicialmente, a ideia era de que os peixes só ingeriam pequenas partículas de plástico por acidente. Um novo estudo realizado indica que o problema é afinal outro, os peixes são atraídos pelo plástico e comem-no intencionalmente.

Conhece-se assim a razão pela qual os peixes ingerem o plástico derivado da poluição dos oceanos. Não é por acidente, os peixes são mesmo atraídos para consumir o plástico e a descoberta foi publicada esta semana.

Existem muitas espécies de peixes que engolem restos de plástico, recordam os investigadores da Universidade da Califórnia e do Aquarium da baía de São Francisco, num estudo publicado numa revista britânica de ciência. Chegou-se à conclusão que a ingestão de plásticos pode ser fatal e leva a uma acumulação de substâncias tóxicas ao longo da cadeia alimentar, quando os predadores se alimentam de presas que ingeriram plásticos.

Os cientistas estudaram ainda as reacções de um cardume de anchovas na Califórnia (engraulis mordax) – que se alimentam normalmente de zooplâncton – face a uma mistura contendo partes específicas de plásticos e outra contendo restos de plásticos cobertos de algas.

Neste caso, foram os investigadores da Universidade da Califórnia e da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos, que fizeram testes com anchovas que revelam que quando o plástico é misturado com água salgada e se começa a desintegrar, libera um odor semelhante ao do krill — uma espécie semelhante ao camarão.

“Esta é a primeira prova comportamental de que os detritos de plásticos podem ser quimicamente atraentes para os consumidores marinhos”, explica o estudo.

Até à experiência realizada pelos autores deste estudo, os cientistas acreditavam que os peixes ingeriam pequenas partículas de plástico acidentalmente, apenas quando estavam a ingerir pedaços flutuantes de plâncton ou krill. Mas afinal o problema é bem mais grave, o cheiro que os plásticos ganham não só faz com que os peixes comam os detritos a acreditar que é comida, como os atraem até eles.

“Estas descobertas têm implicações consideráveis para redes aquáticas de alimentos e, possivelmente, a saúde humana”, revela ainda o estudo.

Nos passados 40 anos, a quantidade de pedaços de plástico a flutuar nos oceanos aumentou mais de 100 vezes. São cerca de sete milhões de toneladas de resíduos despejados nos oceanos a cada ano, afectando mais de 600 espécies.

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