O asteróide que extinguiu os dinossauros, pode ter arrefecido mais a Terra

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O Chicxulub ocorreu há já 66 milhões de anos atrás. Ou seja, o asteróide que extinguiu os dinossauros, colidiu com o planeta Terra há 66 milhões de anos. Tinha 12 quilómetros e caiu naquela que é agora conhecida como a península de Yucatán, no Golfo do México. A colisão terá sido a causa da extinção em massa do Cretáceo-Paleógeno, que eliminou do planeta mais de 75% das plantas e dos animais – incluindo os dinossauros.

Esta colisão com a Terra teve consequências globais, uma vez que libertou quantidades massivas de pó, enxofre e dióxido de carbono para a atmosfera. Os dois primeiros formaram uma nuvem que reflectiu a luz solar e reduziu drasticamente a temperatura do planeta. Mas agora, um novo estudo publicado no Geophysical Research Letters, concluiu que a libertação de enxofre foi três vezes superior àquilo que as pesquisas anteriores afirmavam – por isso, o arrefecimento da Terra foi ainda mais drástico do que aquilo que se pensava.

Joanna Morgan, uma geofísica da Imperial College of London e co-autora deste estudo, disse ao site da American Geophysical Union que “muitos modelos climáticos não podem actualmente perceber todas as consequências do impacto do Chicxulub, muito devido à incerteza sobre a quantidade de gás que foi libertada”, acrescentando ainda que a equipa que liderou a investigação quis “revisitar este evento e refinar o modelo de colisão para melhor entender os seus efeitos imediatos na atmosfera”.

Para este estudo, os físicos utilizaram um código que simulava a pressão das ondas de choque criadas pelo impacto, afim de se fazer uma estimativa da quantidade de gás libertada. Trabalharam com diversas variáveis, como a composição das rochas vaporizadas, para reduzir a incerteza dos cálculos. Concluíram então que o asteróide libertou, aproximadamente, 325 mil milhões de toneladas de enxofre e 425 de dióxido de carbono para a atmosfera, mais de dez vezes as emissões globais de CO2 em 2014.

A grande diferença entre este novo estudo e os anteriores, está relacionado com o método. Os investigadores tiveram em conta apenas os gases que foram lançados para a atmosfera com uma velocidade mínima de um quilómetro por segundo. Os gases com velocidades inferiores não chegaram a uma altitude suficiente para ficar na atmosfera e influenciar o clima, mas as investigações mais antigas integravam nos cálculos todo o enxofre e CO2 libertado.

Ainda para além da velocidade dos gases, os autores do estudo inovaram ainda no que toca ao ângulo de impacto do asteróide. Os estudos anteriores mencionavam em 90 graus; este admite que o asteróide colidiu com a Terra num ângulo de 60 graus, o que levou a uma maior emissão de enxofre.

Por sua vez, o enxofre libertado bloqueou a luz solar e as alterações na circulação dos oceanos devastaram toda a flora terrestre e a biosfera marinha. Este novo estudo vai ajudar os investigadores a calcular as quantidades de gases emitidos para a atmosfera durante outros eventos semelhantes.

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