Novos fósseis revelam segredos da origem dos mamíferos modernos

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Foi uma equipa de paleontologistas, no sul de Inglaterra, que descobriu dentes fossilizados que podem pertencer a mamíferos que são antepassados da maioria dos mamíferos modernos.

Os paleontologistas da Universidade de Porthsmouth, no sul de Inglaterra, descobriram um par de dentes fossilizados na região de Dorset, que pensam poderem pertencer às mais antigas espécies de mamífero placental, sendo estes antepassados da grande maioria dos mamíferos, incluindo os seres humanos.

Os fósseis encontravam-se em rochas do período Cretáceo, da era Mesozoica, ou seja, são rochas que têm entre 66 e 145 milhões de anos. Os dentes fossilizados pertencem a espécies denominadas de Durlstodon ensomi e Durlstotherium newmani. Estas espécies recém-descobertas fazem parte do grupo dos Eutheria, e os mamíferos deste grupo são placentários, significando que, as suas crias desenvolvem-se completamente no interior do organismo da mãe. Trata-se este do grupo de mamíferos mais bem-sucedido do planeta, incluindo uma diversidade de espécies que vai desde a baleia azul até aos seres humanos.

A descoberta destes dentes aconteceu um pouco por acaso, assim contou Steven Sweetman, o investigador que liderou o estudo, ao The Guardian. Grant Smith, um aluno de licenciatura, estava a analisar umas amostras de rochas do período Cretáceo “na esperança de encontrar alguns restos interessantes”, disse Sweetman. Quando descobriu os fósseis, Grant sabia que tinha mamíferos em mãos, contudo, não sabia que os que tinha eram tão importantes e únicos.

“O meu queixo caiu”, contou Sweetman, que disse ter-se apercebido “de imediato que estava a olhar para restos de mamíferos do Cretáceo Inferior”. Os dentes dos mamíferos são complexos e têm especializações únicas, pelo que bastam apenas alguns dentes para os paleologistas se aperceberem a que grupo de mamíferos ou a que espécie pertencem, mesmo que seja uma nunca antes vista. Segundo os investigadores, estes animais eram, muito provavelmente, noctívagos e as suas estruturas eram semelhantes às de um rato.

Esta descoberta foi publicada no “Acta Palaeontologica Polonica”, uma publicação de paleontologia e paleobiologia. Estes fósseis podem ou não ser os exemplares mais antigos de um mamífero eutheriano. Uma vez que em 2011, um grupo de investigadores chineses descobriu um fóssil na formação de rochas jurássicas de Tiaojishan que dizem ser o exemplar de eutheriano mais antigo de que há conhecimento. O fóssil pertence a uma espécie denominaram juramaia, e, segundo os investigadores, tem 160 milhões de anos. Mas, esta afirmação é disputada, e a descoberta de Sweetman e da restante equipa não é.

Outro estudo lançado também esta semana, sugere que as primeiras espécies de mamíferos eram todas noctívagas, tendo passado a viver de dia quando os dinossauros se extinguiram.

Este estudo, publicado na Nature Ecology and Evolution, pode indicar ainda o porquê de existirem poucos mamíferos modernos que sejam diurnos.

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