Novo medicamento reduz o número de enxaquecas em até 75%

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Milhões de pessoas que sofrem de enxaquecas têm finalmente uma hipótese efectiva de tratamento, depois dos testes terem demonstrado que a uma nova injecção pode prevenir os ataques. Três quartos dos que sofriam de ataques – que podem gerar tonturas, náuseas ou efeito incapacitante – são mulheres.

Apesar dos analgésicos e outros medicamentos poderem atenuar os sintomas, eles não funcionam com toda a gente e até agora, nenhum medicamento foi encontrado que pudesse efectivamente prevenir os ataques. Mas os primeiros testes demonstraram que um revolucionário medicamento poderá reduzir o número de ataques em três quartos em alguns pacientes.

A Alder BioPharmaceuticals Inc disse que num teste com 600 pessoas, a sua injecção, chamada de ALD403, cortou os ataques em cerca de 75 por cento num terço dos pacientes. A firma, que viu as suas acções aumentar em 50 por cento quando anunciou os resultados, espera que o medicamento esteja disponível ao público em três anos, se os próximos testes correrem bem. É uma das quatro principais firmas farmacêuticas na corrida para ser a primeira a apresentar o medicamento pioneiro especificamente desenhado para tratar as enxaquecas.

Descrita como um dos “santo-grais” da pesquisa médica, uma injecção para verdadeiramente combater as enxaquecas está na primeira linha de gigantes farmacêuticas como a Amgen, Eli Lily e a Teva, que estão todas na corrida com a Alder para ser a primeira a licenciar a medicação. O Director Geral da Alder Randall Schatzman disse que espera submeter as aplicações de licenciamento para utilização pública em 2019.

‘Estamos a propor que os pacientes recebam a vacina quatro vezes ao ano’, disse Ele. ‘A maior parte dos desenvolvedores estão a tentar com dosagens mensais’.

Cada uma das quatro companhias estão a desenvolver variantes do medicamento que interagem com uma proteína chamada calcitonin gene-related peptide (CGRP), que desencadeia a dor e as náuseas ligadas às enxaquecas. A CGRP causa o inchaço dos vasos sanguíneos com terminações nervosas presentes nas laterais da cabeça. Os pesquisadores descobriram que as proteínas monoclonais do sangue – anticorpos que existem especificamente para ligar com a CGRP – conseguem ‘exterminar’ o químico, de forma a que não desencadeie as enxaquecas.

Os cientistas descobriram a importância da CGRP em meados de 1980, mas testes anteriores foram abandonas por medo dos mesmos criar problemas de fígado. O último lote de medicamento demonstrou alguns problemas de segurança, de acordo com os resultados dos testes.

O professor Peter Goadsby, Administrador do UK Migraine Trust, disse: ‘Este é um grande avanço para as pessoas que sofrem de enxaquecas. Não existe actualmente qualquer tratamento específico que tenha sido desenvolvido para enxaquecas. A pesquisa chegou agora a um ponto onde entendemos a condição suficientemente bem para sabermos como trata-la’. Todos os estudos que foram feitos são positivos e não existem quaisquer efeitos secundários.

‘Para um grupo de pessoas que nunca tiveram um tratamento específico, estas são notícias fantásticas’.

O professor Goadsby, que também é director das Instalações de Pesquisa Clínica da NIHR King em Londres, disse que o facto de que várias companhias estarem dedicadas ao medicamento é muito bem-vindo. ‘Temos quatro companhias a competir para desenvolver este medicamento, o que só poderá ser bom. A competição obriga a um maior empenho e a baixar os preços’.

Todas as quatro companhias estão perto de completar, ou já completaram, a fase dois dos testes – e estão a competir para ser a primeira a completar a fase final dos testes e obter uma licença para os medicamentos – com os analistas a preverem que poderá ser um mercado de 6 biliões ao ano a nível global.

Sean Harper, vice-presidente da Amgen, disse: ‘Só consigo pensar em alguns exemplos de ‘santo-grais’ da medicina, que existem há milhares de anos, e este é um deles. Não existe simplesmente nenhuma terapia preventiva para enxaquecas que valha a pena seguir’, disse ele ao Financial Times.

A Eli Lilly está a focar-se nas dores de cabeça em cadeia, uma condição mais rara, mas para a qual existem ainda menos tratamentos efectivos. Foi reportada uma redução significativa do número de ‘dias de enxaquecas’ reportadas pelos pacientes que tomaram o medicamento em Junho passado. David Ricks, vice-presidente sénior da Eli Lilly, disse: ‘Estes resultados reforçam a nossa confiança no potencial deste medicamento como opção para tratamento preventivo de desordens de dores de cabeça debilitantes como enxaquecas e dores de cabeça em cadeia’.

A Teva, uma companhia de fármacos Israelita, reportou resultados similares obtidos com o seu medicamento em Setembro. O vice-presidente da firma Marcelo Bigal, disse; ‘Estas descobertas constituem um marco histórico no desenvolvimento de opções de tratamento de prevenção das enxaquecas’.

[Daily Mail]

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