Novo instrumento para detectar planetas potencialmente habitáveis

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Foram os investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), que participam actualmente num projecto internacional, que visa criar um novo instrumento capaz de detectar planetas rochosos que orbitem estrelas próximas da Terra, e que sejam potencialmente habitáveis.

Este novo aparelho, designado NIPRS (“Near Infra Red Planet Searcher” ou pesquisador de planetas no infravermelho próximo), será instalado no telescópio de 3,6 metros do Observatório de La Silla (Chile), do Observatório Europeu do Sul (ESO), organização astronómica da qual Portugal faz parte, segundo um comunicado do IA divulgado esta semana.

“O NIRPS vai ser o primeiro espectrógrafo do ESO dedicado a detectar planetas em torno das anãs M, o tipo de estrelas mais abundante na nossa galáxia”, explicou o investigador do IA e da Universidade do Porto (UP), Pedro Figueira.

Um espectrógrafo trata-se de um instrumento capaz de decompor a luz nas suas várias cores, ou comprimentos de onda (frequências), originando assim um espectro, considerado o “arco-íris da estrela”, explicou à Lusa o investigador do IA e da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), Nuno Cardoso Santos.

O NIRPS entrará em funcionamento no último trimestre do ano de 2019, e irá medir velocidades radiais de estrelas anãs vermelhas, afim de detectar planetas rochosos do tipo terrestre, que sejam potencialmente habitáveis.

O Método das Velocidades Radiais detecta exoplanetas (planetas localizados fora do Sistema Solar) medindo assim pequenas variações na velocidade (radial) da estrela, originadas pelo movimento que a órbita desses planetas imprime na estrela.

“Se a estrela tiver um planeta à volta, o seu movimento é perturbado. Medindo a velocidade da estrela dia após dia, podemos ver se esta se move em torno do planeta”, explicou Nuno Cardoso Santos.

O NIRPS irá juntar-se ao espectrógrafo de alta resolução HARPS, instalado no telescópio ESO de 3,6 metros do Observatório de La Silla, estendendo dessa forma as capacidades de observação deste para o infravermelho, assim se lê na nota informativa.

Ainda segundo Nuno Cardoso Santos, o NIRPS vai complementar dados do actual HARPS, tornando dessa forma possível observar simultaneamente no infravermelho.

A observação no infravermelho possibilita o acesso a um outro domínio espectral, que permite “fazer ciência nova”, sublinhou o investigador.

O consórcio responsável pela criação do NIRPS é liderado pelas universidades de Montreal, no Canadá, e de Genebra, na Suíça.

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