Novo fóssil assustador mostra o antepassado das aranhas

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Um belo e preservado fóssil de França deu aos paleontologistas um olhar sobre o animal que é quase, mas não exactamente, a aranha mais antiga conhecida.

A criatura de oito pernas viveu há cerca de 305 milhões de anos atrás e foi nomeada de Idmonarachne brasieri, uma referência a Idmon, o pai do habilidoso tecelão Arachne da mitologia Grega. O caçador amador de fósseis Daniel Sotty descobriu-a numa pedra ancestral do Montceau-les-Mines no leste de França, e foi mais tarde colocado nas colecções do Muséum National d’Histoire Naturelle em Paris.

“Quando Eu a vi a primeira vez, fiquei na dúvida sobre que tipo de aracnídeo era”, diz o paleontologista Russell Garwood da University of Manchester. Apenas o abdómen estava visível no exemplar, mas Garwood já podia ver pistas de uma relação como aracnídeos. Mais tarde, quando a sua equipa criou as Tomografias Computorizadas de alta resolução, eles descobriram que estava muito mais preservada na pedra da idade Carbonífera.

“As pernas e toda a parte frontal do corpo estavam enterradas na pedra”, disse Garwood, a sua equipa descreveu o fóssil esta semana na Proceedings of the Royal Society B. A sua equipa criou um modelo 3D e o restauro da Idmonarachne que revelaram diversos traços aracnídeos, incluindo várias prezas similares às das aranhas. Mas os modelos detalhados também demonstraram algumas diferenças significativas.

Se olhar com atenção para uma aranha moderna (desculpem, aracnofóbicos), toda a parte traseira do corpo é uma única estrutura bulbosa. “Mas não nesta criatura!”, diz Garwood acerca da Idmonarachne. O invertebrado ancestral retém segmentos ao longo do seu abdómen, mais como formas arcaicas de aracnídeos como pseudoescorpiões.

Falta Algo

A Idmonarachne também tem algo muito especial em falta que define muito do estilo de vida de uma aranha: O fóssil aracnídeo não tem fiandeiras.

Apesar de teias construídas delicadamente parecerem ser sinónimos de aranhas, nós sabemos através dos fósseis que a capacidade de segregar seda veio antes da capacidade de controla-la cuidadosamente. Os familiares das aranhas chamados uraraneids, que viveram desde há 385 milhões de anos até ao aparecimento da Idmonarachne, conseguiam produzir seda, mas não conseguiam construir teias.

“Nós sabemos através dos fósseis de uraraneid que elas tinham espigões e não fiandeiras”, disse Garwood.

Em vez de fazerem armadilhas primorosas, e pegajosas, as uraraneids e a Idmonarachne poderiam usar a sua seda para alinhar as suas tocas ou proteger os seus sacos de ovos. Mas a inexistência de apêndices extras para melhor manusear a seda separa-as de verdadeiras aranhas, diz Garwood.

Apesar de tudo, os resultados demonstram que a Idmonarachne “junta-se à linha de evolução em direcção às verdadeiras aranhas”, diz o aracnologista Jonathan Coddington do National Museum of Natural History do Smithsonian. A combinação de características do fóssil “implica um nível significativo de transições para verdadeira produção de seda”, acrescentou ele.

Nesse ponto, a Idmonarachne age como uma ponte de ligação entre as criaturas similares a aranhas ancestrais que produziam bolhas de seda e a tecelãs ávidas que nós conhecemos – que são tão descaradamente bem-sucedidas que existem provavelmente uma série delas a alguns metros de distância de si neste momento.

[National Geographic]

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