Nova história da chegada dos humanos à Austrália

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Uma equipa de arqueólogos escavou as camadas mais profundas de um abrigo situado no norte da Austrália, local onde já tinham sido encontrados vestígios importantes da mais antiga ocupação humana no continente. Desta forma, foram encontradas novas provas que reescrevem a história dos aborígenes. Segundo o artigo publicado na revista Nature, a chegada dos humanos à Austrália aconteceu há 65 mil anos. As anteriores estimativas sugeriam que teria sido entre 47 e 60 mil anos atrás.

Assim, a análise de mais de 11 mil artefactos encontrados durante estas novas escavações em Madjedbebe, um abrigo de pedra no norte da Austrália, estabeleceu que a chegada dos humanos à Austrália terá acontecido há precisamente 65 mil anos. Ou seja, pode ter sido 18 mil anos antes do que se pensava.

Os trabalhos de escavações nesta camada mais funda do abrigo de rocha decorreram no ano de 2015 e resultaram agora na recolha de mais de 11 mil artefactos de pedra que se encontravam no sítio de Madjedbebe. Foram encontradas ferramentas de pedra que desvendam alguns detalhes do modo de vida destes primeiros humanos a chegar à Austrália. A equipa descobriu ainda machados de pedra, ferramentas usadas para moagem de sementes antigas e setas de pedra delicadamente esculpidas, entre outros objectos.

“O sítio contém a tecnologia de machados de pedra mais antiga do mundo, as ferramentas de moagem de sementes mais antigas conhecidas na Austrália e evidências de setas de pedra finamente esculpidas, que podem ter servido de pontas de lança”, explicou Chris Clarkson, arqueólogo da Universidade de Queensland que liderou as escavações e principal autor do artigo, num comunicado da Corporação Aborígene Gundjeihmi.

Este documento sublinha ainda a cooperação que existiu entre cientistas e as comunidades dos aborígenes, que são proprietários destas terras situadas próximo do Parque Nacional de Kakadu. Desde o ano de 1970, este local já recebeu trabalhos de escavações por quatro vezes. Nesta última escavação ao sítio, os investigadores assinaram um acordo com a Corporação Aborígene Gundjeihmi que representa o povo Mirrar, os donos das terras, e que trabalhou com os arqueólogos ajudando assim nas escavações e recolha das peças.

Para realizarem a rigorosa datação, os arqueólogos avaliaram cuidadosamente a posição dos artefactos, garantindo que correspondem às idades dos sedimentos que os envolviam. Segundo um comunicado da Nature sobre o artigo, o trabalho de datação confirmou a integridade estratigráfica (relacionada com as camadas de rochas e sedimentos) do local, “comprovando um padrão de aumento da idade com profundidade e fornecendo idades que são mais precisas do que antes”. Ou seja, a parte mais profunda da escavação terá cerca de 65 mil anos, concluiu assim a equipa de especialistas.

“Os resultados estabelecem uma nova idade mínima para a dispersão de humanos modernos fora de África e em todo o sul da Ásia. Além disso, as descobertas indicam que os humanos modernos chegaram ao continente antes da extinção da mega-fauna australiana, um evento em que a participação dos humanos tem sido questionada”, esclarece ainda o comunicado.

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