Neurociência afirma que álcool em excesso altera a actividade cerebral a longo prazo

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O consumo alcoólico excessivo e prolongado durante a adolescência e juventude não só afecta o desenvolvimento cerebral, causando alterações visíveis no EEG (electroencefalograma), como ainda se traduz de forma diferente nos cérebros de homens e mulheres, causando mais alterações funcionais.

Estas são duas conclusões centrais de um estudo realizado por cientistas finlandeses da área da neurociência, que serão apresentadas esta semana no congresso anual do Colégio Europeu de Neuro psicofarmacologia, que está a decorrer em Paris.

“Descobrimos que há mais alterações na actividade eléctrica do cérebro nos homens do que nas mulheres, [devido ao consumo excessivo continuado de bebidas alcoólicas]”, assim explica a investigadora Outi Kaarre, do Hospital da Universidade de Kuopio, uma das autoras do estudo.

Na realidade, os resultados revelam que existem alterações eléctricas e químicas no cérebro, nomeadamente em relação a um neurotransmissor de nome GABA e aos seus receptores neuronais, dos quais existem dois tipos diferentes: o A, e o B. Segundo novos dados, o consumo excessivo e continuado de bebidas alcoólicas afecta os dois tipos de receptores nos homens, enquanto nas mulheres só os receptores de tipo A do neurotransmissor sofrem alterações. No entanto, o que isto significa e como pode ser interpretado do ponto de vista do funcionamento cerebral de homens e mulheres não é claro.

“O GABA”, nota Outi Kaarre, “é um neurotransmissor fundamental, que está envolvido na inibição de muitos dos sistemas e funções cerebrais e que tem um papel importante, por exemplo, nas perturbações de ansiedade e de depressão”. Em geral, sublinha a investigadora, “este neurotransmissor tem um efeito de diminuir, ou de acalmar, a actividade cerebral”.

Os estudos feitos em animais revelaram que o receptor GABA-A está associado a padrões de menor consumo de álcool, enquanto o GABA-B está mais presente no processo cerebral ligado ao desejo de beber. Assim, a equipa finlandesa acredita os seus resultados “podem ser a porta para um possível mecanismo que explique as diferenças entre homens e mulheres” em relação ao consumo de álcool.

Neste estudo foram envolvidos 11 homens e 16 mulheres, com idades compreendidas entre os 23 e os 28 anos e com um historial de 10 anos ou mais de consumo excessivo de álcool. Todos com alterações nos EEG, após aplicada uma estimulação magnética, que estimula a actividade neuronal, indivíduos da mesma idade e sem esse historial não apresentaram essas alterações.

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