A NASA vai lançar sonda para orbitar o Sol

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A NASA vai lançar uma sonda espacial para orbitar o Sol, colocada a uma distância nunca antes alcançada, para estudar a actividade solar que possa eventualmente colocar em causa a vida na Terra. A missão de nome Solar Probe Plus, vai estar a 6,4 milhões de quilómetros da superfície solar, enfrentando condições de temperatura e radiações extremamente elevadas. Segundo a comunicação da agência espacial norte-americana, a Solar Probe Plus vai ser lançada entre 31 de Julho e 19 de Agosto do próximo ano, 2018, do veículo Delta IV Heavy, o maior em funcionamento.

Esta missão tem como objectivo obter novos dados sobre a actividade solar e sobre novos métodos para prever grandes eventos climáticos que possam vir a afectar a vida no nosso planeta. A 150 milhões de quilómetros da estrela central do Sistema Solar. Há mais de trinta anos que os cientistas tentam responder a perguntas sobre do Sol, e embora esta seja uma missão já prevista pela NASA desde 2009, a missão tornou-se agora ainda mais urgente, segundo um estudo da Academia Nacional de Ciências, um evento solar que não seja previsto pode causar danos avaliados em 2 biliões de dólares nos Estados Unidos e cortar a energia durante um ano na costa leste.

Diariamente constatamos o poder do Sol, uma estrela que “comeu” cerca de 99,86% da massa total do Sistema Solar. As auroras boreais, por exemplo, resultam da interacção das partículas emitidas pela nossa estrela com a atmosfera. A NASA terá de se aproximar à coroa do Sol, a camada mais externa da estrela composto por material plasmático (um gás com partículas ionizadas) com 2 milhões de graus que só é visto da Terra em dias de eclipse (aquela luz que circunda o disco solar quando ele está escondido). Isto porque, primeiro, esta é uma região muito instável do Sol e precisa de ser estudada na fonte. É aqui que são produzidos os ventos solares, partículas altamente energéticas e ejecções de massa solar que podem chegar à Terra. E por último porque há milhões de toneladas de material magnetizado que viaja a milhões de quilómetros por hora até nós.

Existe ainda outro fenómeno estranho que ninguém consegue explicar verdadeiramente acerca do Sol, uma estrela constituída essencialmente de hidrogénio e hélio, porque é que a coroa solar é muito mais quente que a fotosfera, a superfície luminosa da estrela, e como é que os ventos solares se têm tornado cada vez mais rápidos? Desde 24 de Outubro de 1954, num comício da Academia Nacional de Ciências, estas perguntas entraram na lista de questões prioritárias a serem respondidas pelos astrofísicos. E o motivo é este, a 150 milhões de quilómetros do Sol, a Terra ainda reside na atmosfera da estrela que nos ilumina e alimenta. O que acontece na coroa solar vai afectar o modo como a actividade solar vai influenciar o ambiente e infra-estruturas tecnológicas da Terra.

No entanto, os objectivos científicos da missão oficializada esta semana pela NASA, são ainda mais específicos. Ao completar três órbitas completas ao Sol, a agência espacial norte-americana pretende saber exactamente o tamanho das camadas mais exteriores do Sol, que são onde a actividade é mais intensa e ameaçadora para a Terra. Para que tal seja possível, a sonda vai aproximar-se no máximo a 3,9 milhões de quilómetros do Sol a uma velocidade de mais de 724 mil quilómetros por hora.

Este projecto vai ser possível graças a uma sonda baptizada com o nome “Parker” em homenagem a Eugene Parker, um cientista pioneiro no estudo dos ventos solares. Parker vai estar sete vezes mais próxima do Sol do que qualquer outra sonda alguma vez enviada por uma agência espacial em direcção à nossa estrela e nove vezes mais perto do que Mercúrio está da superfície solar. Para proteger a sonda de uma lista nunca antes experimentada de temperaturas elevadas – 1377 ºC – e radiações mortíferas, Parker vai utilizar um escudo de carbono com 11,43 centímetros de espessura.

A NASA já tem viagem preparada, Parker vai sair da Terra a 31 de Julho de 2018, em principio a partir do Cabo Canaveral. A 28 de Setembro de 2018, a sonda deverá fazer a primeira de um total de sete passagens por Vénus. Pouco depois, a 1 de Novembro, Parker já deve chegar ao ponto de aproximação mínima ao Sol. A aproximação máxima à estrela está agendada apenas para 19 de Dezembro de 2024.

No total, Parker vai completar 24 órbitas ao longo de 7anos de missão e cada órbita deverá ter a duração de 88 dias.

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