NASA e o sucesso de Cassini

0

Vinte anos após ter sido lançada no espaço, a sonda Cassini deixará de emitir sinais, mas só 83 minutos após o mergulho no planeta é que a Terra receberá os últimos dados recolhidos. “Será como um eco”, disse Earl Maize, responsável pelo projecto Cassini no Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, em Pasadena, na Califórnia.

Este foi o final de uma missão que nos últimos 13 anos revelou informações importantes sobre Saturno, as suas Luas e os seus anéis. Até então, nunca nenhuma nave tinha estado tão próxima do planeta.

Isto é possível em qualquer missão caso sejam asseguradas algumas condições. Por um lado, o combustível que é necessário para a sonda reprogramar trajectórias.

O combustível é contado aos quilos para uma trajectória inicial, que é planeada para um determinado tipo de estudos. Se sobrar alguma coisa, é possível aumentar o programa científico. Mas se a sonda for deixada na órbita e continuar a fazer trabalho importante, este aspecto não faz falta.

Outro aspecto a ter em conta, é o consumo energético, as baterias associadas aos colectores solares, são planeadas para determinado tempo de vida útil. Se se mantiverem activas, é possível manter os instrumentos a funcionar mais tempo, colectando dados.

Decidiu-se que seria Saturno o planeta onde se iria despenhar, pois fez-se o mesmo com a sonda Huygens, que ia a bordo da Cassini e que entrou na Titã. Estamos a falar de atmosferas muito densas. Quando se faz fotografia dos planetas, detecta-se apenas a luz que vem da parte superior da atmosfera. O truque é fazer a sonda entrar no planeta e, enquanto vai caindo, enviar informação. Pelo menos a parte inicial da entrada na atmosfera dá muito mais dados do que aqueles que são possíveis obter de fora. É melhor “perder” a sonda do que simplesmente deixar apagar os instrumentos.

Será este um dos projectos mais bem-sucedidos da NASA. É, pelo menos, um dos grandes projectos. A missão chegou a ser estendida duas vezes, e vai atingir os 20 anos. A máquina funcionou tão bem, que todos os instrumentos trabalharam muito além do projecto inicial dos quatro anos.

Por outro lado, a informação que se recolheu com a Cassini foi única, porque as sondas que lá tinham passado perto foram apenas as Voyager 1 e 2 com voos de passagem. A análise científica de Titã foi positiva, e deixou a comunidade científica a bater palmas, porque não tinha sido feito nada do género, excepto para a nossa lua.

No entanto, houve alguns projectos que aconteceram no espaço que são dignos de algum mérito, pois conseguiram marcar e fazer coisas nunca antes alcançadas. Por exemplo, o da Rosetta. A verdade é que a tecnologia não para e daqui a 20 anos tudo isto será história.

Comment