Não entre em pânico, o universo não irá acabar pelo menos durante 2,8 biliões de anos

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Um dia, o Universo irá morrer – aqui está algo em que os cientistas estão de acordo. Mas exactamente como e quando isso irá acontecer é uma área que gera mais dúvidas, e não é algo que realmente nos tenhamos de preocupar, com as previsões actuais a colocarem tal evento a dezenas de biliões de anos no futuro – muito após o nosso Sol se extinguir.

Mas e se as nossas previsões estiverem erradas? Uma equipa de pesquisadores investigou uma hipótese alternada e, no pior cenário previsto, chegaram à conclusão que o mais cedo que o Universo poderia chegar a um fim, seria daqui a 2.8 biliões de anos. “Estamos a salvo”, diz Diego Sáez-Gómez pesquisador principal da Universidade de Lisboa em Portugal ao Jacob Aron do New Scientist.

O cenário que Sáez-Gómez estava a investigar é conhecido como “big rip”, e está se a tornar como a hipótese principal sobre como o Universo poderá acabar.

Para aqueles que não leram muito sobre a triste morte do nosso Universo, existem algumas formas como poderá acontecer, mas o cenário dominante é algo parecido com isto: o Universo continuará a se expandir a um ritmo crescente até eventualmente as estrelas morrerem, tudo se afastar, e o universo se tornar tão frio que sofra da chama “morte do calor”. Também existe a ideia do “big crunch”, onde a expansão do Universo eventualmente colapsa sobre si própria.

Mas desde a descoberta da energia negra, os físicos têm andado a formular outra alternativa. “Até agora pensávamos que o Universo iria ou se re-colapsar num ‘big crunch’ ou expandir-se infinitamente até um estado de diluição infindável”, disse o especialista em fim-do-Universo Robert Caldwell do Dartmouth College, ao New Scientist em 2003. “Agora teremos de criar uma terceira possibilidade – o big rip”.

O Big Rip baseia-se na ideia de que a expansão do Universo se está a tornar mais rápida a cada momento, e que a aceleração está a ser alimentada pela energia negra. Se a quantidade total de energia negra no Universo estiver a aumentar, como alguns pesquisadores sugerem, então essa expansão poderá continuar a acelerar até o próprio tecido do Universo se desfazer.

Seria uma forma desagradável de partir, e previsões anterior colocaram o evento algures a 22 biliões de anos no futuro – demasiado distante para que nos deixe preocupados. Mas estamos constantemente a saber mais sobre a energia negra, e como ela controla a expansão do universo, por isso Sáez-Gómez decidiu modelar alguns outros cenários baseados nos últimos dados.

Estes modelos permitiram que a sua equipa elaborasse uma linha de tempo tanto para o mais cedo como para o mais tarde que o big rip poderá acontecer. “Nós mostramos que normalmente, o limite mínimo para o tempo de singularidade não poderá ser menor do que 1.2 vezes a idade do Universo, o que falando de forma vaga será alfo como 2.8 [biliões de anos] a contar da data presente”, escreveram eles no site de pré-impressão, arXiv.org.

Estas são boas notícias, mas melhor ainda é o facto de que “o limite máximo vai até ao infinito”, explica Sáez-Gómez. Isso poderá significar que o big rip nunca acontecerá, e acontecerá em vez disso a morte do calor.

Na verdade, é altamente improvável que o Universo vá efectivamente acabar em 2.8 biliões de anos, especialmente olhando para o nosso Sol que tem uma previsão de continuar por aqui pelo menos mais uns 5 biliões de anos. Caldwell definiu o limite mínimo como “muito conservador”. Mas o processo de criar estas linhas de tempo potenciais é incrivelmente útil para os cientistas.

“Cenários como o big rip resultam de uma falta de compreensão da física em particular a nossa incapacidade de ligar a mecânica quântica e a relatividade geral, a teoria da gravidade”, Escreveu Aron. “Explorar as possibilidades poderá nos mostrar um caminho em frente”.

[ScienceAlert]

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