Mutação genética origina elefantes sem marfim

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Está a ocorrer uma mutação genética na população de elefantes em Moçambique que tem vindo a originar, nos últimos anos, o nascimento de novos elefantes desprovidos de pontas de marfim.

Segundo os resultados de um estudo publicado no portal upworthy, o fenómeno que pode ser atribuído aos efeitos nefastos da caça furtiva, atingia na altura, 1% da população das fêmeas que, ao sobreviver, transmitiram o gene às gerações seguintes, facto esse que se traduz na existência dessa qualidade, em cerca de 98% das fêmeas nascidas no país.

O conflito armado, que se arrastou por 16 anos, até ao ano de 1992, foi o principal responsável pelo extermínio de grande parte dos elefantes, em diversas áreas de conservação (parques e reservas), mas graças à sobrevivência de uma das fêmeas, de nome Nómade, junto a 11 das suas irmãs, uma mutação inesperada, fez com que estas nascessem sem as pontas de marfim.

O estudo refere ainda que, por outro lado, nesses 10% da população dos paquidermes que sobreviveu ao conflito armado, metade das fêmeas tinham o mesmo gene Nómade, responsável pelo nascimento de filhotes sem as pontas de marfim.

Apesar desta mutação ter sido fundamental para a sobrevivência das fêmeas, tem também o seu impacto negativo, na medida em que as pontas constituem uma ferramenta crucial para a sobrevivência dos paquidermes, utilizadas para escavar a terra em busca de minerais ou comida, arrancar a casca das árvores, ou dobrar os galhos em busca de frutas.

Além disso, os machos utilizam as pontas de marfim em suas lutas durante a temporada de reprodução mostrando-se às fêmeas, como uma forma de exibição para a atracção sexual.

Felizmente, a inteligência dos paquidermes e o facto de contarem com outra ferramenta importante, a tromba, está a permitir a sua sobrevivência e adaptação. Existem hoje no continente, segundo este estudo, locais onde, 98% das fêmeas nascem sem pontas.

Em alguns mercados, como na China, a elevada demanda pelo marfim continua alta, apesar de o país ter decidido banir, até ao final do ano em curso (2017), o comércio interno e o processamento de todos os derivados do marfim.

Não obstante o negócio da China, o período de guerra civil provou um desenraizamento entre as populações de elefantes. Quando uma família perde a sua matriarca, a possibilidade de os filhotes sobreviverem reduz significativamente, uma vez que não há ninguém para cuidar dos mais novos.

A primeira vez em que os responsáveis pelo parque o avistaram, Nómade estava com um grupo diferente do actual.

A agravar ainda mais a situação, a ausência de machos faz com que as fêmeas sofram de altos níveis de stress, devido ao facto de que não poderem reproduzir-se. Os poucos machos com pontas que ainda sobraram, morrem antes de se conseguirem reproduzir, fazendo com que o número de elefantes nascidos sem presas continue a crescer.

Entre as várias constatações, o estudo aponta para que, enquanto a caça furtiva não acabar e o comércio de marfim não for efectivamente julgado como crime, a tendência dos números de elefantes Nómade será de crescimento contínuo.

Apesar de metade das fêmeas que sobreviveram à guerra civil não terem pontas, somente um terço dos filhotes nascidos depois delas apresentam a condição. Todavia, o facto de os animais alcançarem uma idade de 70 anos significa que, se as coisas melhorarem, será possível ver, nas próximas gerações, uma mudança de tendência.

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