Multi, o elevador magnético

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Um elevador que não precisa de cabos e desloca-se tanto na horizontal como na vertical. Apresentado na Alemanha, o Multi é uma tecnologia inovadora em comparação aos elevadores tradicionais, este permitirá aumentar a área útil dos edifícios, dando assim largas à imaginação de arquitectos e engenheiros na construção de arranha-céus.

Este elevador é como o Transrapid, o comboio que não toca nos carris uma vez que funciona dentro de um campo electromagnético. Daí prescindir de cabos para o içar ou fazer descer, não necessitando também de uma “casa das máquinas” porque o seu motor é distribuído ao longo do percurso, que pode ser tanto horizontal como vertical.

A thyssenkrupp, já apresentou este elevador a funcionar numa torre de 246 metros, no final da semana passada, em Rottweil, na Alemanha. Apresentou também um cliente. O primeiro comprador deste sistema é a holandesa OVG Real Estate, especializada em construir edifícios sustentáveis e inovadores, que vai instalar o Multi em Berlim. Trata-se essa da Torre Leste, de 160 metros, que será um dos edifícios mais icónicos da capital alemã.

Coen van Oostrom, presidente da empresa, partilhou que se orgulhava de fazer os edifícios mais altos do Benelux, mas que um encontro com Al Gore num fórum nos EUA fê-lo mudar a maneira de pensar, passando a conceber projectos sustentáveis e energeticamente viáveis. Nessa mudança de paradigma, viu o quão inovador poderiam ser estes elevadores que lhe permitem poupar espaço nos edifícios. “Deixamos de fazer edifícios tão altos porque acabam por ser todos como os Donuts – com um buraco no meio – e podemos agora desenhar soluções bastante diferentes graças ao Multi”, explicou.

Luís Ramos, director da comunicação na thyssenkrupp, explicou ainda que um dos maiores obstáculos à construção em altura é que quase metade da área é ocupada pelos poços dos elevadores e pelos pesados equipamentos que eles comportam. O elevador magnético (constituído por ímanes, ou magnetos, sendo desta forma impulsionado pelas forças atractivas e repulsivas do magnetismo) só necessita de metade do espaço de um ascensor convencional, pelo que, os edifícios ganharão 25% da área. Visto que, nas mega-cidades, o metro quadrado de área atinge preços tão elevados, o Multi vai alterar o modelo de negócios das empresas imobiliárias e construtoras, ao permitir aumentar o espaço disponível.

“As cidades hoje em dia são tão densas, que qualquer espaço que se consiga dar ao edifício vale ouro”, acrescentou. O novo elevador é mais caro do que os outros (o valor do negócio com a OVG Real Estate não foi divulgado), mas Luís Ramos afirma que as vantagens no espaço ganho compensam claramente o acréscimo do preço.

O grupo alemão diz ainda que já tem diversas demonstrações de interesse de mais empresas e que espera rapidamente exportar estes elevadores para o Médio Oriente, China e EUA. “O cliente-tipo é um promotor civil, é normalmente uma empresa que desenvolve edifícios e que tem preocupações de sustentabilidade”, disse Luís Ramos.

Clientes e mercado não parecem faltar, como o próprio presidente da thyssenkrupp, Andreas Schierenbeck, recordou. Por dia há mais 87,5 quilómetros quadrados de espaço urbano no planeta, o equivalente a uma nova Manhattan. E desde 2000, os edifícios mais altos cresceram três vezes mais, de uma média de 200 metros de altura para os actuais 600 metros. Enquanto que nos anos 60 se construíam por ano um ou dois arranha-céus (prédios com um mínimo de 200 metros de altura), só no ano de 2016 foram construídos 128, em todo o mundo.

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