Mineral instável encontrado dentro de diamante

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Foi pela primeira vez encontrado à superfície do planeta, o mineral perovskita de silicato de cálcio (CaSiO3). Apesar deste mineral ser extremamente abundante na Terra, ocupando o quarto lugar na lista de materiais em maior número no nosso planeta, esta é a primeira vez que o mesmo é observado à superfície, uma vez que o mesmo é extremamente instável em profundidades inferiores a 650 quilómetros.

O diamante no qual esta amostra de mineral se encontra incrustada, foi encontrado à profundidade de apenas um quilómetro, na mina de diamantes de Cullinan, na África do Sul.

Os cientistas calculam que cerca de noventa e três porcento do manto inferior da Terra, seja composto por este material, mas até ao presente momento a existência do CaSiO3 não passava de uma mera hipótese, uma vez que nunca havia sido possível observa-lo à superfície, mas agora e graças a esta inesperada amostra do mesmo os cientistas poderão observa-lo em maior detalhe a fim de melhor compreende-lo.

O próprio diamante no qual a amostra foi encontrada, com apenas 0.031 milímetros de diâmetro também é extremamente raro, uma vez que a maioria dos diamantes se forma a uma profundidade bastante baixa, algures entre os 150 e os 200 quilómetros. Já o exemplar encontrado, segundo as estimativas terá se formado a cerca de 700 quilómetros de profundidade.

Foi graças à elevada pressão existente a essa profundidade, que é cerca de 240 mil vezes superior à pressão atmosférica ao nível do mar, que aprisionou a amostra de CaSiO3 no diamante durante o seu processo de formação, tornando perfeitamente isolado de quaisquer elementos exteriores, impedindo assim que este se deformasse à medida que se deslocava em direcção à superfície do nosso planeta.

A descoberta trouxe também algumas informações acerca da formação do manto terrestre, uma vez que os diamantes são uma óptima fonte de informações deste género. As primeiras analises deste diamante, permitiram concluir que a inclusão do material no seu interior revela uma clara reciclagem da crosta oceânica do manto inferior da Terra, demonstrando de forma clara o que acontece à medida que as placas oceânicas vão descendo em direcção ao interior da Terra.

A próxima fase passará por tentar determinar a origem e idade do CaSiO3 presente no diamante.

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