Micróbios da caverna de cristal ressuscitados após 10 000 anos

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Os micróbios encontrados dentro dos cristais brilhantes na caverna mexicana foram ressuscitados, e podem ter entre 10 000 e 50 000 anos. Os micróbios provêm da caverna dos cristais, situada na Mina de Naica, no estado de Chihuahua. A câmara está cheia de cristais de Selenita com centenas de milhares de anos, formados em águas subterrâneas aquecidas por magma e ricos em minerais.

Dentro dos cristais, existem pequenas bolsas cheias de fluido, dos quais os cientistas cultivaram organismos nunca antes vistos.

“O que temos encontrado são organismos de cujos parentes mais próximos são também de ambientes extremos ao redor do mundo”, disse a pesquisadora principal Penelope Boston, que também é directora do Instituto de Astrobiologia da NASA. (Os astro-biólogos estudam a vida extrema na Terra para entender o tipo de ambientes que podem ser passíveis de vida noutros planetas).

Caverna de cristal

Os cristais de Naica só foram descobertos acidentalmente em 2000 e só ficaram acessíveis depois de a empresa que operava a Mina Naica extrair a água subterrânea da câmara. Mesmo assim, chegar à beleza da Caverna dos Cristais foi um desafio: a humidade de 90 a 100 por cento e as temperaturas que variam entre 45 e os 50 graus Celsius, fazem com que os seres humanos tenham de utilizar roupas de protecção guarnecidas com sacos de gelo e deixar a caverna rapidamente, e só lá podem permanecer por cerca de 30 minutos.

Renascimento de micróbios

A ideia de procurar trazer de volta à vida os micróbios nos cristais da caverna surgiu logo à data da descoberta, em 2000. Paolo Forti, professor emérito da Universidade de Bolonha, na Itália, foi quem descobriu o que pareciam ser fósseis de micróbios nas amostras da caverna.

Ao perfurar os cristais em 2009, os pesquisadores tomaram medidas para evitar a contaminação dos antigos micróbios. Para o efeito, eles utilizaram berbequins e brocas esterilizados, bem como luvas e desinfectaram a superfície com peróxido de hidrogénio. Utilizaram também micro-pipetas esterilizadas para extrair o fluido.

Os pesquisadores depois aplicaram porções do fluido em diferentes meios de crescimento, para ver se os micróbios começam a metabolizar, e alguns começaram! Os que se desenvolveram eram geneticamente diferentes dos micróbios vivos actuais e, com base na taxa de crescimento dos cristais, provavelmente ficaram isolados entre há 10 000 e 50 000 anos atrás.

Naturalmente, existe sempre a possibilidade de as bactérias terem entrado nos cristais através de micro-fracturas, mas os investigadores estão convencidos de que os micróbios são verdadeiramente ancestrais.

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