Micro-ondas de próxima geração serão pequenos o suficiente para levar às costas

0

Prepare-se para esquecer o seu almoço pronto: uma nova geração de fornos micro-ondas está a chegar. Não só fornos que poderá levar na sua mochila, a electrónica irá permitir que os dispositivos detectem quando os conteúdos estão descongelados ou em risco de transbordar a fervura, e fornos inteligentes que irão cozinhar diferentes itens a taxas diferentes em simultâneo.

Os fornos micro-ondas convencionais usam um cavity magnetron, uma válvula de vácuo desenvolvida para radares durante a segunda guerra mundial. Os magnetrons são pesados e poucos eficientes para a geração de micro-ondas. Eles também criam pontos quentes, um problema não solucionado na totalidade ao rodar os conteúdos do forno num prato rotativo.

Fontes de micro-ondas com um semicondutor de óxido metálico difundido lateralmente (LDMOS) prometem mudar isso. Similares aos existentes nas torres de telecomunicações e sistemas de comunicações por micro-ondas, estão agora a ser trabalhados por firmas como a NXP, com sede em Eindhoven, na Holanda. “A tecnologia-base existe já há bastante tempo; estamos a altera-la para torna-la mais especifica e dirigi-la para os dispositivos de cozinha para consumidores”, disse Paul Hart da NXP.

O tamanho compacto e alta eficiência da fonte torna os fornos micro-ondas portáteis possíveis, tal como o modelo Adventurer que pesa 1.5 quilos da Wayv, uma companhia sediada em Hertford, Reino Unido. O Adventurer parece um recipiente thermos gigante, e a sua fonte NXP consegue aquecer até 500 mililitros de comida ou bebida em ciclos de até 5 minutos. A bateria recarregável de Iões de Lítio consegue fazer seis ciclos com uma carga.

O Adventurer conseguiu reunir 150 000 libras em menos de 19 horas no site de angariação de fundos CrowdCube em 2014. Será lançado primeiro nos Estados Unidos no início do próximo ano e irá custar cerca de 199 dólares. A Wayv acredita que irá ser utilizada por campistas e caminhantes, e também pelos militares e primeiros socorros. Ao contrário dos fogões de campismo, não existe fumo nem perigo de envenenamento por monóxido de carbono.

Chris Brock, director do London Food Centre da London South Bank University, disse que a utilidade do Adventurer para acampar ou caminhadas é limitada devido ao número de ciclos que a bateria permite – para a comida e bebida de uma pessoa seriam necessários dois ou três ciclos. Mas ele sugere que o Adventurer poderia também ser útil para ser utilizado em experiência que requerem aquecimento no campo.

A NXP está também a trabalhar nos seus próprios fornos sofisticados. O “forno inteligente” Sage (na imagem abaixo) incorpora múltiplas fontes micro-ondas e também aquecimento por convecção. Ter múltiplas frontes permite que o Sage detecte os itens individuais e dirija as micro-ondas de forma a os cozinhar de forma diferente.

nxp_rf_sage_open_hr-1-1200x800

A tecnologia presente no Sage consegue detectar as alterações na resistência eléctrica dos conteúdos, que se altera quando o gelo se torna em água, ou a água em vapor. Isto significa que consegue descongelar uma refeição sem a cozinhar, ou parar imediatamente quando a sua sopa começar a ferver.

Por exemplo, a empresa afirma que o Sage consegue cozinhar frango, batatas e ervilhas de forma perfeita no mesmo prato apesar das diferentes necessidades térmicas. E diz também que o Sage consegue cozinhar ou descongelar itens complexos como bolos esponjosos com um interior cremoso, aquecendo cada um de forma uniforme.

Também irá permitir novos tipos de takeaway ou refeições instantâneas optimizadas para serem “cozinhados de forma inteligente”.

“Esta é apenas a ponta do icebergue”, diz Hart.

[New Scientist]

Leave A Reply