Metade das pessoas que vivem com SIDA desconhecem estar infectadas

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Ricardo Fernandes, o director executivo da associação GAT – Grupo de Activistas em Tratamentos, alertou para a importância do diagnóstico precoce da SIDA.

A realidade é que, cerca de 30% a 50% dos 2,2 milhões de pessoas que vivem com o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), na Europa, desconhecem estar infectadas. Cerca de 50% dos doentes, são diagnosticados demasiado tarde, atrasando assim, o acesso ao tratamento e uma possibilidade de sucesso contra a doença.

“O número de diagnósticos tardios de infecção pelo VIH em Portugal é demasiado elevado, perfazendo quase 50% dos diagnósticos feitos no ano de 2014, de acordo com o Programa Nacional para a Infecção VIH/SIDA. Ou seja, muitas pessoas não fazem o teste antes de apresentarem sintomas. Isso pode acontecer por inúmeros motivos”, afirmou Ricardo Fernandes numa entrevista à SAPO.

“Fazer o teste a estas infecções é fundamental pois sabe-se que, quanto mais tardio for o diagnóstico, maior é a probabilidade de se sofrer complicações de saúde e de estas serem transmitidas a outras pessoas”, alertou o responsável do GAT.

A importância do diagnóstico precoce, prende-se ao facto de que, quem é diagnosticado com a infecção pelo VIH, não muito tempo após do contagio, com a prescrição rápida do tratamento antirretroviral, poderá viver uma vida saudável, semelhante à vida da restante população seronegativa.

A Semana Europeia do Teste VIH-Hepatites está a decorrer desde dia 18 até ao próximo dia 25 de Novembro. O principal objectivo, é sensibilizar a população portuguesa, para a importância do rastreio precoce do VIH, causas, tratamento etc.

Em relação ao investimento, “O Estado Português deveria adoptar mais medidas que promovam o diagnóstico precoce da infecção pelo VIH e o rápido acesso aos cuidados de saúde e tratamento, já que quase 50% das pessoas é diagnosticada numa fase avançada da doença o que comporta riscos adicionais para a saúde pública, custos adicionais e um impacto maior na saúde individual da pessoa em causa”, afirmou Ricardo Fernandes. “Este investimento deve ser feito especialmente naquelas populações que sabemos mais vulneráveis a estas infecções”, acrescentou.

Existem novos meios de prevenção a infecção, como a profilaxia pré-exposição (PrEP) já aprovada na Europa e ainda não implementada em Portugal. “A PrEP consiste na toma diária de um medicamento que previne as infecções por VIH em quase 100% dos casos. É urgente que se defina em Portugal o uso da PrEP e que se passe à prática”, referiu o responsável.

Na Semana Europeia explicou-se que, “Os testes feitos no âmbito da Semana Europeia do Teste VIH-Hepatites são testes rápidos, feitos através de uma simples picada no dedo. Têm uma sensibilidade de 99,8%, possuindo o habitual período janela de 90 dias após a última exposição. No que à hepatite C diz respeito, o teste usado tem 100% de sensibilidade e o período janela é mais extenso, como é comum no rastreio desta infecção, atingindo os 180 dias. Por último, em relação à hepatite B, o período janela é inferior aos restantes – 60 dias após a exposição ao vírus – e têm uma sensibilidade de 98,33%”, esclareceu Ricardo Fernandes.

“Sempre que há um resultado positivo para cada uma destas infecções, oferecemos à pessoa rastreada a possibilidade de encaminhamento para o Serviço Nacional de Saúde”, concluiu.

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