Medicamento com veneno de cobra para prevenir tromboses

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Os cientistas criaram agora um medicamento mais seguro, para a prevenção das tromboses, fabricado a partir de veneno de cobra. Revelou assim um estudo divulgado esta semana pela Associação Americana do Coração.

Trata-se este de um fármaco da classe de medicamentos que impedem a cativação e a aglomeração de plaquetas (células sanguíneas) bem como a formação de coágulos, sendo este utilizado para prevenir tromboses cerebrovasculares ou mesmo a doença cardiovascular. Os medicamentos anticoagulantes existentes, alguns dos quais baseados também eles, em veneno de cobra, têm um efeito secundário grave, podendo causar hemorragias prolongadas após um ferimento.

Foram os investigadores da Universidade Nacional de Taiwan que desenvolveram este novo medicamento para interagir com uma proteína, a glicoproteína VI, localizada na superfície das plaquetas. Num estudo realizado anteriormente, a equipa descobriu que uma proteína existente no veneno de uma espécie de cobra, a “Tropidolaemus wagleri”, da família das víboras e nativa do sudeste asiático, estimula as plaquetas a formarem coágulos no sangue ao ligarem-se à glicoproteína VI.

Os trabalhos precedentes concluíram que plaquetas sem a glicoproteína VI não formam coágulos em doentes e não conduzem a hemorragias graves, o que levou os cientistas a acreditarem que o bloqueamento da acção da glicoproteína, poderia prevenir o aparecimento de coágulos e evitar os efeitos das hemorragias prolongadas.

Já o novo estudo, divulgado esta semana, pode ser o primeiro a descrever uma molécula baseada na estrutura de uma proteína específica do veneno de cobra (a proteína tem o nome científico de “trowaglerix”) para bloquear a actividade da proteína da superfície das plaquetas.

A equipa científica da Universidade Nacional de Taiwan já administrou o novo medicamento a ratos e observou que a formação de coágulos era mais lenta quando comparada com a de roedores que não foram tratados com o fármaco. E, para além disso, verificou-se que os ratos medicados não sangravam mais do que os ratos do grupo de controlo.

Os investigadores pretendem, posteriormente, optimizar os efeitos do fármaco, isto para que interaja apenas com a glicoproteína VI e não com outras proteínas evitando assim reacções indesejáveis, bem como testá-los novamente em animais e pessoas.

Alguns dos medicamentos anticoagulantes actuais têm como alvo outras proteínas, as glicoproteínas IIb/IIIa, e baseiam-se numa outra proteína de veneno de cobra, mas podem provocar hemorragias, um efeito adverso para o qual os cientistas da universidade de Taiwan não encontraram ainda uma explicação. O estudo foi publicado na revista Arteriosclerosis, Thrombosis and Vascular Biology, editada pela Associação Americana do Coração.

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