Matéria e antimatéria – Novos comportamentos

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Os cientistas do Grande Colisor de Hadrões podem ter descoberto agora uma nova partícula, com um comportamento diferente ao ser observada na sua antipartícula. É a primeira vez que este fenómeno é observado, se estes dados se confirmarem, podem explicar porque é que a matéria criada no nascimento do Universo não foi aniquilada pela antimatéria criada em simultâneo.

Ou seja, segundo a Teoria do Big Bang, o Universo nasceu a partir da expansão de um ponto muito quente e denso há quase 14 mil milhões de anos, assim, a quantidade de matéria criada nesse momento deveria ser igual à quantidade de antimatéria. Mas, como a matéria e a antimatéria, em contacto, aniquilam-se, então, algo deve ter permitido para que uma parte da matéria sobrevivesse e desse origem ao que somos agora. Os cientistas nunca compreenderam o que interferiu no aniquilamento entre a matéria e a antimatéria, no entanto, a resposta pode estar na violação de uma lei da física chamada de “simetria CP”.

Esta lei, a simetria CP, é uma noção que declara que o comportamento de uma partícula de matéria é igual ao comportamento da antipartícula de antimatéria equivalente, ou seja, se todo o mundo material fosse substituído pelas anti-partículas correspondentes a cada coisa, o Universo permanecia precisamente o mesmo.

Mas existem algumas excepções, algumas partículas violam a simetria CP e as suas anti-partículas não mimetizam o seu comportamento. É por exemplo o caso de uma família de partículas subatómicas chamadas de mesões, compostos por um quark e um antiquark, como os píons e os káons. Estas partículas foram estudadas em 1980 e em 2008 por dois cientistas que ganharam o Nobel da Física por terem descoberto que essa discrepância explica, em parte, a sobrevivência de mais matéria do que antimatéria.

Em busca de respostas mais conclusivas, os cientistas do LHC entre 2011 e 2012 decidiram estudar bariões, que são uma família de partículas subatómicas compostas por três quarks das quais fazem parte os neutrões e protões. E descobriram ainda que há uma diferença entre o decaimento dos bariões e o decaimento dos antibariões, que tem três antiquarks. Como estes se comportam de modo diferente, significa então que estamos perante uma violação da simetria CP, mais uma peça no mistério da antimatéria desaparecida e da matéria excedente. No entanto, serão necessários mais testes para chegar a conclusões mais esclarecedoras e definitivas.

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