Lixo cobre o mar entre as Honduras e Guatemala

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As Honduras garantem que a culpa é da Guatemala, mas a Guatemala faz o mesmo, e culpa por sua vez, as Honduras. A quantidade de lixo que se acumulou no mar das Caraíbas, a norte das Honduras, nomeadamente ao largo das ilhas de Roatán, Omoa ou Puerto Cortés, é de escalas assustadoras, tanta a poluição, que quase se forma uma “ilha de lixo”. Contendo de tudo um pouco desde lixo doméstico, resíduos hospitalares — como seringas, por exemplo –, animais mortos e até mesmo cadáveres humanos.

Os ministros do Ambiente de ambos os países já se têm reunido ao longo das últimas semanas, ainda sem conclusões, mas o governo da Honduras fez um ultimato aos guatemaltecos, afirmando que estes têm cinco semanas para impedir que o lixo vindo do país chegue ao mar e às praias hondurenhas. O ministro dos Recursos Naturais e Meio Ambiente de Honduras, José Antonio Galdames, garantiu à BBC que este lixo chegará a Guatemala, descrevendo o problema ambiental como “insustentável”, nomeadamente, para o turismo no país.

“Os turistas não querem ir à praia porque têm medo de ser contaminados ao entrar na água. Não é bom para ninguém estender a toalha, deitar-se e ser picado por uma agulha”, disse Galdames, acrescentando ainda que a responsabilidade é de um rio que atravessa parte da Guatemala: “A maior parte da bacia do rio Motagua está no lado guatemalteco. Dos 95 municípios que estão ao longo do rio, 27 estão a despejar resíduos sólidos no Motagua. Nós temos apenas três municípios que fazem fronteira com esse o rio Motagua. Por isso, 86% das descargas vêm da Guatemala”.

O ministro garante que, entre as inspecções que os técnicos do seu ministério fizeram, foram encontrados diversos objectos com a descrição “Made in Guatemala” (feito em Guatemala). “Estamos a receber roupa, plástico, lixo hospitalar, objectos ensanguentados, seringas, animais e até mesmo corpos humanos”, acusou José Antonio Galdames. O congénere da Guatemala, Sydney Alexander Samuels, nega tudo. “Cadáveres? Nunca ouvi falar de cadáveres. Se há cadáveres temos de investigar de onde vêm. Nunca ouvi tal coisa. As acusações [das Honduras]só levam em conta a parte da Guatemala. Têm um rio lá, o Chamelecón, que é praticamente um esgoto a céu aberto”, afirmou à BBC.

No entanto, Samuels promete agir para reduzir a poluição. “Sim, nós contaminámos o mar das Caraíbas através do rio Motagua. Asseguro que no próximo ano já não transportaremos lixo para o mar, pois teremos todas a infra-estruturas para que tal não aconteça mais”, afirmou.

Já para o ministro do Meio Ambiente de Honduras, as medidas não podem ser a médio prazo, tendo que ser imediatas. Caso contrário, as Honduras prometem apresentar queixa dos “vizinhos” guatemaltecos e pedir uma indemnização.

“O que nós pedimos é que eles tomem medidas desde já: limpar os rios, limpar as praias, deixar de atirar lixo. E têm que estabelecer um sistema de alerta para que possamos saber que o lixo chegará. Se eles não fizerem nada, vamos proceder de acordo com o estabelecido nos acordos internacionais relacionados com a protecção da diversidade biológica”, assim afirmou José Antonio Galdames.

Sydney Alexander Samuels reagiu e disse que “Não há moral para dizer que vão processar a Guatemala ou pedir uma compensação. Vamos resolver o problema até Agosto. E o que é que as Honduras estão a fazer? Absolutamente nada”.

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