Líder da investigação sobre a maior extinção terrestre é português

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O paleontólogo Ricardo Araújo, vai liderar uma equipa internacional que irá investigar, em Moçambique, o impacto provocado pela maior extinção da vida na terra, ocorrida há 252 milhões de anos. A investigação foi anunciada esta semana.

O português, do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico e do Museu da Lourinhã, acaba de ganhar uma bolsa da revista científica National Geographic para poder apoiar a investigação. Em depoimentos à revista Lusa, explicou que Moçambique é um dos poucos locais em todo o mundo cujas camadas rochosas registam precisamente a transição que se deu entre o Pérmico e o Triásico, há cerca de 252 milhões de anos atrás.

Esse período assinala ainda a separação entre as idades geológicas do Paleozóico e do Mesozóico, quando ocorreu “a maior extinção que existiu na Terra, em que se extinguiram cerca de 95% dos seres vivos na terra”.

A extinção “absolutamente avassaladora e incomparavelmente superior em relação a qualquer outro período da história da Terra” e terá sido provocada por uma erupção vulcânica de dimensões gigantescas, na zona da Sibéria, durante a qual foram libertadas toneladas de gases com efeitos de estufa. Esses gases, bem como acontece agora, levaram a uma grande modificação do clima e da vida no planeta Terra.

Recorrendo à estratigrafia, à prospeção e a escavações, os investigadores mantém a expectativa de vir a encontrar fósseis pertencentes a novas espécies de fauna e flora, junto ao Lago Niassa.

“Cerca de 95% das espécies foram extintas, portanto qualquer espécie do Triásico que seja encontrada será bastante interessante para percebermos que tipo de espécies são mais afetadas pelas extinções, se existe diferenciação em termos de tamanho dos animais ou em termos de cadeia trófica, se eram herbívoros ou se eram carnívoros, ou que tipo de animais conseguiram sobreviver a esta extinção”, explicou o investigador.

A equipa multidisciplinar composta por paleontólogos, geólogos e engenheiros, espera descobrir muita coisa em Moçambique, por exemplo, restos de Lystrosaurus (ancestrais dos mamíferos), que sobreviveram à extinção e cujos vestígios já foram descobertos e escavados na África do Sul, Antártida, Zâmbia ou Rússia.

Ricardo Araújo explicou ainda que foi nessa transição entre o Pérmico e o Triásico que se originaram os ancestrais dos principais grupos de animais vertebrados que hoje existem na Terra, justificando dessa forma a importância desta investigação para se compreender melhor a sua origem bem como a sua evolução ao longo de milhões de anos.

A equipa internacional liderada por Ricardo Araújo, é também composta pelo português Rui Martins, do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico, pelos moçambicanos Dino Milisse e Nelson Nhamutole, do Museu Nacional de Geologia de Moçambique, pelos americanos Kenneth Angielczyk, do Museu Field, e Jim Crowley, da Universidade Estadual de Boise, por Sterling Nesbitt, da Universidade Técnica da Virgínia, e pelo sul-africano Roger Smith do Museu Iziko.

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