Inteligência Artificial da Google Lê para Adquirir Emoções

0

Quando estamos a lidar com software como o Google Search ou assistentes virtuais como a Siri da Apple, não existe muita amizade ou emoção na relação – e qualquer interacção que sinta provavelmente foi deliberadamente programada por programadores de software humanos (como os famosos Easter Eggs da Siri).

Mas agora o Google está a trabalhar numa solução, e está à procura de amor no sitio provavelmente mais óbvio: romances. A companhia está a alimentar romances – milhares deles – a um dos seus motores de inteligência artificial (AI), para tentar melhorar a sua personalidade e capacidade de interacção com pessoas.

“Na aplicação Google, as respostas são bastante factuais”, disse Andrew Dai Engenheiro de Software da Google a Alex Kantrowitz da BuzzFeed News. “Esperemos que com este trabalho, e trabalho futuro, possa criar mais interacção ou criar um tom mais variado, ou estilo, ou registo”.

O projecto tem estado a correr nos últimos meses, com a equipa a alimentar à rede neural cerca de 2865 romances. O software aprende à medida que lê, detectando mais e mais significados e subtilezas à medida que lê.

De acordo com Kantrowitz, ficção romântica funciona como um melhor recurso educacional para o software do que a maior parte de literatura básica como livros para crianças aprenderem a ler, uma vez que oferecem uma maior variedade de exemplos linguísticos à rede para esta poder aprender.

Perceber como interagir bem com as pessoas poderá representar um desafio ainda maior do que levar a melhor num jogo, mas a equipa da Google está optimista. Foi reportado que a equipa treinou o motor para escrever frases do género das encontradas nos romances, e o passo seguinte será tentar utiliza-lo nos novos produtos de dicção da Google.

Tal produto poderá ser a app Google – a versão mobile da app Google Search no ambiente de trabalho, mas equipou-a com funcionalidades similares às de um assistente e controlo por voz – e outra poderá ser a funcionalidade ‘Smart Reply (Resposta Inteligente)’ da Google Inbox, que poderá gerar respostas automáticas e mensagens mais inteligentes devido às suas novas e melhoradas habilidades linguísticas.

“Seria bastante satisfatório fazer perguntas ao Google se ele realmente entendesse as nuances do que está a perguntar, e pudesse responder de uma forma mais natural e familiar”, explicou Dai a Lindsey J. Smith do The Verge. “É como você preferir perguntar a um amigo o que pode fazer num local de férias em vez de ligar para o centro de visitantes”.

Esperemos apenas que a Google não acabe com uma situação como a Tay – uma AI de conversação desenhada pela Microsoft que foi posta offline passadas apenas 16 horas depois os utilizadores do Twitter verem a inocente imitação de um ser humano tornar-se numa aberração racista e xenófoba.

Para evitar um fiasco similar, a Google irá utilizar uma aproximação mais conservador com a sua própria experiência, procurando ter a certeza de que os maus hábitos da humanidade não venham à tona na AI.

“É bastante sensual. É bastante imaginativa”, disse Dai à BuzzFeed News. “Nós trabalhamos directamente com os colegas de produto para a desenvolver com os mínimos riscos de fazer coisas más, coisas que não previmos”.

[ScienceAlert]

Leave A Reply