O Grande Colisor de Hádrons Está a se Deformar Devido à Influência Gravitacional da Chuva e Neve

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Um pesquisador intrépido acha que o Grande Colisor de Hádrons (LHC), o mais avançado acelerador de partículas do mundo, poderá também ser o maior medidor de chuva. Forças gravitacionais momentâneas geradas pela água da chuva e a neve estão na verdade a fazer com que o dispositivo ultra-sensível mude de forma, e estas alterações poderão ser utilizadas para estudar o tempo regional e as mudanças hidrogeológicas.

“A minha hipótese baseia-se no facto de no inverno existir muita água no solo, e até neve a cobrir o solo. Portanto, basicamente, esta massa atrai o anel”, disse à BBC News Rolf Hut, um pesquisador da Delft University of Technology, Holanda. “E quando essa massa extra derrete e se evapora no verão, o anel estica um bocado”.

O LHC, a maravilha tecnológica com o formato de um donut que tem feito partículas chocarem para revelar os segredos do universo, é um dos mais bem-sucedidos empreendimentos científicos na história da humanidade. Desde o início do ano, mais de 300 documentos foram escritos por físicos teóricos utilizando dados obtidos através de dispositivo épico.

Parece que a cada mês, a equipa que trabalha com o anel de 27 quilómetros de circunferência tem algo fantástico para reportar. Este mês não foi excepção: Numa estranha reviravolta, eles repararam que o próprio anel estava a mudar de forma.

O comprimento das partículas que orbitam em torno do LHC é fixo e cuidadosamente monitorizado pelos operadores da máquina; mesmo pequenas mudanças causam alterações no curso das partículas. Mas recentemente, o LHC começou a detectar mudanças minúsculas na distancia orbital do ciclo sazonal.

Apesar de pequenas alterações de comprimentos poderem ser explicadas pela força das marés gerada pela atracção gravitacional da Lua, este novo efeito de deformação não parecia estar relacionado com isto. Os pesquisadores inicialmente pensaram que o anel se estava a expandir à medida que aquecia no verão e encolhia à medida que arrefecia com o inverno – excepto o facto de a profundidades de 175 metros abaixo da superfície, ser pouco provável experienciar estações como são à superfície.

O Dr. Hut virou-se para a missão espacial GRACE dos Estados Unidos-Alemanha, que utiliza um par de satélites para detectar pequenas variações na gravidade da Terra. Eles descobriram que quando não existe muita água no chão por cima do LHC, no verão especialmente, o mesmo se expande.

Irá ser necessária a instalação de medidores de gravidade no próprio LHC para poder confirmar esta teoria, mas se for realmente verdade, flutuações extremamente pequenas no seu comprimento poderão ser utilizadas para medir mudanças na chuva que cai na superfície com extrema precisão. Como anunciado na reunião anual da European Geophysical Union (EGU) em Vienna, isto tornaria o LHC no maior medidor de chuva do mundo.

O Dr. Hut é conhecido entre os seus colegas como o “MacGyver dos Cientistas”, e com razão: Ele tem gasto o seu tempo em arranjar curiosas novas maneiras de medir o tempo da Terra. Na reunião EGU de 2014, ele revelou um protótipo de guarda-chuva, equipado com um sensor, que detecta cada gota da chuva que nele cai. Os dados de queda da chuva são depois enviados para um servidor através de um telemóvel com Bluetooth activado.

O LHC, claramente, é bastante superior à ideia do guarda chuva. “Eu consigo criar um medidor de chuva com qualquer coisa”, disse ele ao público do encontro EGU deste ano.

[IFLScience]

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