Foi observado pela primeira vez o espectro de luz de um átomo de antimatéria

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O espectro de luz de um átomo de antimatéria foi observado pela primeira vez, revelou a Organização Europeia para a Investigação Nuclear/CERN.

Segundo um comunicado da organização, da qual Portugal faz parte, o resultado obtido, e divulgado Segunda-Feira, na revista científica Nature, “apoia-se em inovações tecnológicas que abrem uma era completamente nova na investigação de alta precisão sobre a antimatéria” e “vem coroar mais de 20 anos” de investigação no CERN.

Trata-se da primeira observação de um raio espectral num átomo de anti-hidrogénio, que “permite comparar, pela primeira vez, o espectro de luz da matéria e da antimatéria”.

Justificando a importância do resultado, o CERN assinala ainda que, qualquer diferença mensurável entre os espectros de luz de um átomo de hidrogénio (matéria) e de um átomo de anti-hidrogénio (antimatéria), poderá “por uma causa os princípios fundamentais da física” e “ajudar a compreender o enigma do desequilíbrio entre a matéria e a antimatéria do Universo”.

O hidrogénio, gás constituído por um protão e um electrão, é o átomo “mais abundante, simples e conhecido” do Universo. Em contrapartida, os átomos de anti-hidrogénio são mal conhecidos.

Para medir o espectro de luz do anti hidrogénio, é necessário produzir os constituintes do anti hidrogénio – os antiprotões e os positrões (anti-electrões) – e juntá-los em átomos, esclareceu o CERN.

Os átomos são formados por electrões em órbita de um núcleo. Uma vez que os electrões transitam de uma órbita para outra, “absorvem ou emitem luz em comprimentos de onda específicos, que constituem o espectro do átomo”. Assim, cada átomo tem um espectro de luz próprio.

“Usar um laser para observar uma transição no anti-hidrogénio, depois comparar o resultado com o que se passa para o hidrogénio, para ver se o fenómeno obedece às mesmas leis da física, foi sempre um eixo essencial para a investigação sobre a antimatéria”, explicou Jeffrey Hangst, porta-voz do ALPHA no CERN, experiência que visa capturar e estudar os átomos de anti-hidrogénio e comprá-los com os átomos de hidrogénio.

O ALPHA é “um dispositivo capaz de produzir átomos de anti-hidrogénio e de os reter numa “armadilha” magnética especialmente concebida para o efeito, ao manipulá-los em pequenas quantidades”.

Os átomos de anti-hidrogénio, uma vez capturados, “podem ser estudados por meio de lasers e outras fontes de radiação”.

De acordo com o CERN, a possibilidade de se medir o espectro de luz do anti-hidrogénio, com maior exactidão, constitui “uma nova ferramenta com potencial extraordinário, que permitirá determinar se a matéria se comporta de maneira diferente da antimatéria, e, por consequência, por à prova a validade do Modelo Standard” da física de partículas, teoria que descreve as partículas e as forças que são exercidas sobre elas.

O Modelo Standard aponta para que o hidrogénio e o anti-hidrogénio. tenham características espectroscópicas idênticas.

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